*****

*****

PEÇA O DVD CLICANDO AQUI

Seguidores

Instruções sobre áudio no blog

Atenção: Se você não quiser ouvir a rádio online (preferindo os áudios dos filmes) basta clicar em "MUTE" na sound box.

If you don't want listen to the online radio just go to the sound box in the bottom and click on "MUTE".

A RÁDIO DA RAINHA

Language

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ah....esses machos gostosos e PODEROSOS! rsrs











terça-feira, 21 de outubro de 2014

Conhecendo um novo amigo: "A" (by corno da Rainha) - Parte II

Continuação do relato real descrito pelo testemunho de meu marido. Pra ler o início clique aqui.
____________________________  


Amigos, 

Não sei se pelo fato de estarmos pela primeira vez fora do ambiente de motel, vulnerável nos domínios do predador, a verdade é que minha esposa foi tomada por uma atitude bem mais submissa.
Era um apartamento simples na região central da cidade, mas com opções de lazer diferentes nos cômodos para aquela tarde que reservava momentos  de intenso prazer.
Assim que sentiu a potência da pica de seu novo amigo nas mãos, passou a beijá-lo na boca deliciosamente. Ele a bolinava, apalpando sua bunda ao passo que ela alisava seu peito. Aquele beijo e as carícias foram aumentando a temperatura de ambos, e logo começaram a se despir parcialmente. Ela tirando sua camisa, ele abaixando a parte de cima de seu vestido. Tudo envolvido num clima de preliminares com muito tesão. 

Em pouco tempo ela já parecia não mais sentir minha presença no recinto. Era como se eu fosse um ser invisível ou parte da mobília.  Foi quando ela ajoelhou-se no chão e iniciou uma lenta e caprichosa sessão de sexo oral no anfitrião.  Lambia com dedicação aquela pica grossa e latejante enquanto segurava com delicadeza aquele mastro negro. Punhetava com carinho e a ajuda de sua saliva, arrancando pequenos gemidos do macho, como que judiando dele e  provocando-o com sua destreza. Sua rola dura como rocha para ela era uma espécie de objeto de adoração. 
Enquanto eu fotografava, caminhava lentamente sem fazer barulho. Meu papel ali era somente registrar a entrega de minha esposa ao seu macho Alpha sem atrapalhar em nada aquele ritual. Um ritual o qual já estávamos cada vez mais adorando...ela por motivos óbvios. E eu pelo prazer de ver minha rainha prestes a ser bem comida na minha frente novamente. Uma sensação que só quem já teve esta experiência de ver um estranho socando sua esposa pode saber o que descrevo.

De olhos fechados,  ela engolia sua glande, "escondendo-a" em sua boca sedosa, mas pelo movimento de sua garganta, eu percebia que ela lambia aquela cabeçona mesmo com a boca fechada. Aliás adoro quando vejo ela passando a pontinha da língua na parte inferior da cabeça de seus machos. Aquela parte muito sensível que nós homens conhecemos como "cabresto". Dá um puta tesão, rsrs.
Às vezes ela engasgava pq o a rola do cara era muito poderosa. Mas  logo se recompunha e voltava ao "trabalho" com muita habilidade e maestria. Aproveitava a saliva para lubrificar a pica do sujeito enquanto punhetava com cadência e chupava sem parar. 
Conforme eu me movia à distância, via por trás sua bunda empinada, que logo seria diversão daquele negro safado.

Depois de um bom tempo dando tratos na pica do cara, ela quis mais beijos. O beijo é uma das formas  mais excitantes e de entrega absoluta da esposa ao seu amante. Uma troca de energias diferente só de sexo, pois envolve o complemento essencial para um ato de submissão do marido corno. É por isso que no exercício da profissão, nem as putas beijam seus clientes. Algo que passa ao largo do sexo casual em troca de dinheiro.
E são estas carícias que provocam uma certa sensação de perda momentânea do domínio sobre a pessoa amada. Um desafio emocional nas relações conjugais liberais que nem todos estão preparados para lidar.

Depois de alguns longos minutos em absoluta harmonia daquela sacanagem gostosa, foram para a cama de um dos quartos. E lá,  já completamente despidos continuaram no namoro de beijos e carícias rumo ao início daquela foda. Ele passou a lamber sua buceta. Abria seus lábios emoldurados por seus pelinhos e trabalhava sua língua vigorosa entre o grelho e a porta do cuzinho. Eu via suas axilas expostas, com os braços dela sobre a cabeça e sentia minha submissão ao não poder sequer lambê-las. Nem fosse só as axilas, enquanto ele sentia o mel de sua vulva. Mas a mim só era permitido olhar e fotografar. 
Trovões anunciavam uma chuva se aproximando. Entre o ruído que vinha da rua, de carros e o movimento da cidade, ninguém poderia imaginar que naquele apartamento um clima de intensa libido dominava o ambiente.
Foi quando ela posicionou-se para aconchegar seus amante na clássica "papai-mamãe". Primeiro deixou que ele brincasse um pouco antes de colocar a camisinha. Roçava seu membro duro no grelo de minha putinha. Esfregava no clitóris e dava pequenas batidinhas provocando-a. Seria maravilhoso vê-lo entrando sem proteção, mas por motivos óbvios ela nunca permitiu isso. Só aquela vez já narrada aqui neste blog.
Depois que ele "encapou o bicho", ela então abriu suas pernas encaixando o pilão preto de "A" bem na portinha de sua gruta rosada. Eu com esta visão comecei a ficar com meu pinto mais durinho que estava desde o início da farra. Ele foi entrando e saindo aos poucos para não machucá-la. Entrava mais e saía menos, foi entrando, entrando, até que só seu saco ficasse de fora. Em meio a mais beijos e carícias, foi metendo vara na minha esposa. Socando com mais cadência. Sussurravam coisas que eu não conseguia ouvir, só imaginando as bobagens que ela falava e ouvia. Mas num dado momento ela começou a falar mais alto, dizendo:"Ai que rola gostosa vc tem... isso mete gostoso até o talo, me fode, safado...fode a mulherzinha do corno pra ele ver o que é um macho de verdade...isso... fode assim minha buceta, meu amor, fode...uuuuuuhhh que delícia..."

E sua voz vinha das entranhas, rouca e poderosa ao mesmo tempo.  Uma cena muito excitante.



(CONTINUA)





terça-feira, 14 de outubro de 2014

Corno submisso é assim. Faz tudo que sua mulherzinha manda, rsrs.

terça-feira, 7 de outubro de 2014


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Filosofia da Alcova - Terceiro Diálogo




















Madame, Eugênia e Dolmancé, num delicioso toucador.


EUGÊNIA, surpresa ao encontrar ali um moço inesperadamente -Meu Deus, querida, que
traição é essa?
MADAME, fingindo surpresa - Que ideia foi essa? Você não devia chegar antes das quatro
horas?
DOLMANCÉ - Quem não chegaria antes para ter a alegria de encontrá-la? Foi seu irmão quem
me avisou, achando que minha presença seria útil nas suas lições a esta senhorita. Sabendo que
neste liceu a senhora faria um curso, aqui me introduzi secretamente, pensando que não a
desagradaria. Ele virá logo, quando chegar o instante das suas demonstrações, que só serão
necessárias depois das dissertações teóricas.
MADAME - Foi realmente uma surpresa, Dolmancé...
EUGÊNIA - Não me iludo, minha amiga, tudo foi preparado por você. Mas por que não me
consultou?... Agora estou com uma vergonha tal que talvez atrapalhe nossos projetos...
MADAME - Asseguro que esta surpresa foi obra de meu irmão, mas agora não fique assustada.
Dolmancé, que reputo um homem gentilíssimo, tem o grau de filosofia necessário para sua
instrução, ele só pode ser útil aos nossos projetos; sua discrição é igual à minha. Você ficará
logo familiarizada com o homem que nasceu para formá-la, para conduzi-la, na carreira da
felicidade e dos prazeres que desejamos gozar juntas.
EUGÊNIA, enrubecida - Sinto-me ainda tão acanhada... DOLMANCÉ - Oh, minha bela
Eugênia, fique à vontade. O pudor é uma virtude que está caindo de moda e não fica bem numa
criatura que possui seus encantos...
EUGÊNIA - E a decência?
DOLMANCÉ - Coisa pré-histórica, gótica.. Tudo o que contraria a natureza está fora da moda.
(Dolmancé agarra Eugênia, apertando-a nos braços e beijando-a).
EUGÊNIA, defendendo-se mal - Não, chega! Tenha dó de mim, poupe-me!
MADAME - Ora, Eugênia, não sejamos fingidas com esse moço encantador. Conheço-o há
muito pouco tempo, e entretanto veja como me entrego aos seus ardores. Siga meu exemplo.
(Assim dizendo beija-o lubricamente na boca, enfiando-lhe a língua).
EUGÊNIA - Tem razão, ninguém me poderá dar melhores exemplos: vou imitá-los!
(Entregando-se ao rapaz que a beija doidamente na boca).
DOLMANCÉ - Que deliciosa criatura!
MADAME, beijando também a moça, do mesmo modo - Então, a canalhinha pensa que também
não terei uma parte do festim? (Dolmancé agarra ambas, e durante um quarto de horas as
línguas dentro das bocas se revezam e se trocam).
DOLMANCÉ - Este prelúdio está voluptuoso e prometedor. Mas que calor está fazendo!
Vamos, meus amores, tiremos estas roupagens cacetes para melhor conversarmos.
MADAME - Boa idéia, aqui estão estas túnicas de gaze, que ocultarão somente aquilo que se
deve esconder ao desejo.
EUGÊNIA - Quantas coisas você me induz a fazer...
MADAME, ajudando-a a se despir - Acha-as por acaso ridículas?
EUGÊNIA - Não, mas um tanto indecentes... Como seus beijos são fogosos!
MADAME - A culpa é dos seus seios, botões de rosa apenas entreabertos...
DOLMANCÉ, contemplando os seios da moça sem os tocar - E como prometem delícias mil
vezes mais estimáveis!
EUGÊNIA - Mais estimáveis? Por que?
DOLMANCÉ - Muito mais! (Agarra a moça tentando voltá-la de costas para examinar o
traseiro).
EUGÊNIA - Ah, não, ainda não... Suplico-lhe!
MADAME - Ainda não, Dolmancé. Espere. Essa parte do corpo exerce sobre você um tal
império que você perderia completamente a cabeça e não saberia mais refletir a sangue frio.
Antes disso precisamos de suas lições. Vamos a elas; em seguida, os mirtos que deseja colher
incontinenti formarão sua coroa.
DOLMANCÉ - Consinto, mas ao menos a senhora, Madame, terá a bondade de se prestar ao
meu desejo para dar a essa linda criança as primeiras aulas de libertinagem.
MADAME - Pois não. Aqui metem nuazinha: pode fazer sobre mim todas as experiências.
DOLMANCÉ - Que lindo corpo! É a própria Vênus, embelezada pelas Graças!
EUGÊNIA - Querida, quantos atrativos! Quisera percorrê-los todos, um a um, cobrindo-os de
beijos. (Se bem o diz, melhor o faz).
DOLMANCÉ - Você mostra excelentes disposições... Contenha-se um pouco, porém, só quero,
por enquanto, que me preste toda a sua atenção.
EUGÊNIA - Estou ouvindo tudo quanto diz, mas minha amiga é tão bela, tão fresca, tão
gorduchinha... Não a acha linda, senhor Dolmancé?
DOLMANCÉ - Claro que acho, perfeitamente bela, mas tenho a certeza de que você em nada
lhe cede a palma. Quero que me ouça com atenção, como jovem aluna; se não for dócil e atenta
usarei amplamente dos direitos que confere o título de professor.
MADAME - Ela é sua, entrego-lha, ralhe muito com ela se não tiver juízo...
DOLMANCÉ - É que não ficarei somente nos ralhos... Irei mais longe.
EUGÊNIA - Meu Deus, estou ficando apavorada. Que faria então de mim?
DOLMANCÉ, balbuciando e beijando a boca de Eugênia - Ai, esse lindo cu vai ser responsável
por todas as loucuras que eu cometer. (Agarra o traseiro de ambas).
MADAME - Aprovo o projeto mas não o gesto. Comecemos logo, o tempo voa e Eugênia tem
que partir. Não o percamos em preliminares, ou não a educaremos...
DOLMANCÉ, tocando, em madame, todas as partes nas quais vai falando - Começo. Aqui estes
globos de carne que se chamam peitos, seios ou mamas, são indispensáveis ao prazer; o amante
deve contemplá-los, manuseá-los, acariciá-los. Há homens que fazem deles a sede do gozo,
introduzem o membro entre essas duas colinas de Vênus; com alguns movimentos apenas
conseguem derramar sobre eles o bálsamo delicioso que, ao fluir da fonte, faz a delícia de todos
os libertinos. Não acha, madame, que antes de tudo devemos mostrar à menina como é feito
esse membro sobre o qual somos obrigados a falar continuamente?
MADAME - Tem toda a razão.
DOLMANCÉ - Pois bem, senhora. Vou deitar-me sobre o canapé; ambas se colocarão junto a
mim; a senhora tomará do meu membro e explicará à nossa jovem aluna todas as suas
propriedades. (Dolmancé deita-se enquanto Madame começa a explicação).
MADAME - Você está contemplando aqui o centro de Vênus, o primeiro agente dos prazeres
amorosos, o membro por excelência., que se pode introduzir em todos os lugares do corpo
humano. Sempre dócil às paixões do seu possuidor, ás vezes se aninha entre as pemas, na boceta
(toca a de Eugênia) seu trilho preferido, o mais percorrido e usado; às vezes, porém, prefere um
caminho mais misterioso e penetra por aqui (afasta as nádegas mostrando o orifício do cu). Mais
tarde lhe explicarei melhor esse gozo, dos mais íntimos e deliciosos. A boca, os seios, as axilas
também são altares onde ele queima incenso, enfim, por onde quer que penetre, seja qual for o
local preferido, ele se agita até lançar o licor da vida, esbranquiçado e viscoso, cujo fluir
mergulha o macho no mais vivo delírio, no mais doce prazer que possa esperar da vida.
EUGÊNIA - Deixe-me, por favor, pegar nesse lindo membro e acariciá-lo.
DOLMANCÉ - Ceda-lhe a vez, senhora, essa ingenuidade pruduz-me louca tensão.
MADAME - Não, oponho-me a tal ansiedade. Tenha juízo, Dolmancé, se você esporrar terá
diminuído a atividade do seu espírito e suas dissertações perderão o calor.
EUGÊNIA, acariciando os testículos do moço - Nossa amiga resiste aos meus desejos! E essas
bolas para que servem? Como se chamam
MADAME - A palavra técnica é culhão, a artística é testículo. Esses bagos contém o
reservatório da semente prolífera na qual falei, é a ejaculação dentro da matriz da mulher que
produz a espécie humana; mas deixemos essas minúcias que mais pertencem à medicina do que
à libertinagem. Uma linda mulher só se deve ocupar em foder e nunca em gerar. Passemos de
leve sobre tudo quanto diz respeito ao prosaico mecanismo da multiplicação da espécie para nos
ocuparmos principal e unicamente das volúpias libertinas, cujo espírito é oposto ao povoamento
da, terra.
EUGÊNIA - Querida amiga, como é possível que esse membro enorme, que eu mal consigo
abarcar com a mão, possa penetrar, como você me afirma, num orifício tão minúsculo como o
do teu traseiro? Que dor horrível deve causar a uma pobre mulher!
MADAME - Quando a mulher ainda não está acostumada sente muita dor, quer a introdução se
faça pela frente ou por detrás. A natureza se compraz em nos fazer chegar à felicidade pelo
caminho doloroso, mas uma vez a dor vencida, nada mais delicioso do que o prazer. A
introdução do membro no cu é incontestavelmente preferível a tudo, mesmo à introdução
bocetal. Além disso, quantos perigos evita à mulher, que arrisca menos a saúde e não corre
perigo de engravidar. Neste momento não me quero alongar nessa volúpia, pois nosso mestre a
analisará inteiramente, juntando a prática à teoria, e estou certa de que ficará convencida, minha
cara, que de todos os prazeres, é o que se deve preferir.
DOLMANCÉ - Suplico-lhe, senhora, que seja rápida nas suas demonstrações, ou não me será
possível aguentar, farei a descarga mau grado meu, e o meu belo membro reduzido a nada, de
nada servirá nestas lições.
EUGÊNIA - Como é possível que fique reduzido a nada ao perder o esperma? Estou louca para
ver essa transformação, sem falar no prazer que terei vendo correr o celeste licor.
MADAME - Nada disso, Dolmancé, levante-se. Isso deve ser o prêmio do seu trabalho; faça-o
por merecê-lo antes que eu lho entregue.
DOLMANCÉ - Está bem, mas para melhor convencer Eugênia de tudo quanto lhe dissermos
sobre o prazer, que nconveniente haveria, por exemplo, em que a senhora a masturbasse diante
de mim?
MADAME - Nenhum inconveniente, pelo contrário, vou fazê-lo com alegria pois pode até ser
útil às nossas demonstrações. Sente-se neste canapé, querida.
EUGÊNIA - Oh! Que delicioso ninho! Mas para que tantos espelhos?
MADAME - Isso é para que, refletindo as posições em mil sentidos diversos, eles multipliquem
ao infinito os mesmos prazeres aos olhos das pessoas que as observam neste divã. Nenhuma das
mais lidas partes dos dois corpos se esconde, tudo fica em evidência, dir-se-iam grupos diversos
que o amor encadeia, quadros deliciosos que excitam a lubricidade e servem para completá-la.
EUGÊNIA - Que maravilhosa invenção!
MADAME - Dolmancé, você mesmo despirá a vítima do doce sacrifício...
DOLMANCÉ - Nada mais fácil, basta tirar esta gaze para distinguir os mais íntimos e atraentes
refolhos. (Despe-a e seu olhar concentra-se nas nádegas). Vou vê-lo enfim, o cu divino e
precioso que tanto ambiciono! Queima-me o desejo. Como é rechonchudo, fresco, brilhante e
bem feito! Nunca vi mais belo!
MADAME - Ah, canalha, vê-se de que lado se inclinam seus prazeres e suas preferências!
DOLMANCÉ - Poderá haver no mundo algo comparável? Onde teria o amor seu mais divino
altar? Eugênia, que minhas carícias mais doces caiam sobre ele, com todo o arroubo!
(Acaricia-o e beija-o com transporte e efusão).
MADAME - Basta, libertino. Não se esqueça que tenho a primazia, somente depois que eu
receber suas homenagens é que lhe darei recompensa. Pare com esse ardor pois, do contrário,
me zangarei
DOLMANCÉ - Safadinha, não é necessário tanto zelo! Pois bem, dê-me seu cu que lhe renderei
as mesmas homenagens. (Arranca-lhe a túnica para acariciar-lhe as nádegas). Também é lindo,
meu anjo, e delicioso. Quero compará-los, admirá-los ao mesmo tempo um junto ao outro,
corno Ganimede ao lado de Vênus! (Distribui beijos inflamados). Para que meus olhos se fartem
no espetáculo de tanta beleza, quero que se enlacem e ambas me apresentem essas maravilhosas
nádegas que fazem meu enlevo; cus divinos que adoro!
MADAME - Pronto, seu desejo será satisfeito. Aqui nos tem. (Enlaçadas, voltam para
Dolmancé a parte dileta).
DOLMANCÉ - Impossível presenciar mais belo espetáculo, é justamente com o que sonhava.
Quero que se acariciem reciprocamente as bocetinhas, pois assim os cus se agitarão nas mais
lúbricas labaredas voluptuosas; que se levantem e se abaixem em cadência, que sigam as
comoções do prazer. Ó gostosura, assim, assim!
EUGÊNIA - Como isto é gostoso, querida! Como se chama o que estamos praticando?
MADAME - Chama-se masturbação, querida, mas agora examine melhor minha boceta ou
vagina, que são os nomes mais familiares do templo de Vênus. Vou entreabrir para você, como
a corola duma flor, essa gruta encantada. Esta elevação é o monte de Vênus, que se veste de
pelos aos quinze anos, quando a mulher começa a menstruar. Essa lingueta ao alto chama-se
clitóris, que em grego quer dizer colina, nesse ponto se concentra a sensibilidade da mulher; é o
foco, a chave do cofre do amor. A menor carícia me transporta e me dá espasmos de prazer.
Veja, toque-me! Ai! Como sabe acariciar, dir-se-ia que você passou a vida inteira nessa doce
tarefa! Pare um pouquinho, não aguento mais, não quero gozar já. Dolmancé, ajude-me, estou
perdendo completamente a cabeça com as carícias dessa menina encantadora.
DOLMANCÉ - Para retardar o prazer, passe agora você a titilá-la e que ela seja a primeira a
gozar. Assim, nessa postura. Esse lindo cu se coloca naturalmente ao alcance da minha mão;
enfiarei ao menos um dedo. Vamos, Eugênia, abandone-se, entregue-se inteiramente, com todos
os sentidos, ao prazer. Que somente ele seja o Deus da sua existência, única divindade à qual
uma jovem deve sacrificar tudo. Que somente o prazer seja sagrado aos seus olhos!
EUGÊNIA - Ó gostosura, 6 delicia, nem posso exprimir o que sinto, nem sei o que digo, o que
faço, todos os meus sentidos estão inebriados!
DOLMANCÉ - Como está gozando! Que descarada gostosa! O ânus se fecha de tal modo que
quase me machuca o dedo! Seria divino enrabá-la neste instante de gozo! (Levanta-se,
apresentando o caralho à entrada do cu).
MADAME - Não, não, ainda um momento de paciência, quero que nos ocupemos somente em
educá-la, sem egoísmo. É tão delicioso ensiná-la, formar semelhante aluna!
DOLMANCÉ - Está vendo, cara Eugênia, depois duma excitação as glândulas seminais se
incham, tornam-se túrgidas e acabam por exalar um licor cujo fluir transporta a mulher ao
paraíso. É o que se chama descarga. Quando nossa amiga consentir, hei de mostrar-lhe quão
mais imperiosa e enérgica é no homem essa operação.
MADAME - Espere um pouco, Eugênia, quero lhe mostrar mais um meio de mergulhar a
mulher num abismo de extremo gozo. Abra bem as coxas. Veja Dolmancé, coloco-a de maneira
que o cu seja todo seu. Brinque com ele enquanto eu a lambo bem na bocetinha; ela gozará
assim duplamente e várias vezes em seguida. Que lindo monte de Vênus, que sedosos pelinhos.
O clitóris não está ainda completamente formado mas já é muito sensível; está agitado como um
peixe n'água! Venha, quero que abra as pernas, assim; vê-se bem que é virgem. Diga-me o que
sente quando, ao mesmo tempo, minha língua entrar na sua boceta e a de Dolmancé no seu Cu,
cumulando ao mesmo tempo essas duas aberturas. (Executam o que dizem).
EUGÊNIA, gemendo de prazer - Ai, queridos, delícia inefável, inexprimível. Nunca poderia
dizer qual das duas línguas é mais gostosa, ou qual delas me mergulha em maior delírio.
DOLMANCÉ - Nesta posição tenho o membro junto à mão de madame. Peço-lhe
encarecidamente, senhora, que o acaricie enquanto eu sugo esse cu saboroso, como o colibri ou
a abelha sugam uma flor. Enfie sua língua mais ainda, que ela penetre além do clitóris, até à
matriz, é o melhor meio de provocar completa descarga, ela ficará toda orvalhada...
EUGÊNIA, gozando - Não posso mais, vou morrer, não me abandonem, desfaleço!... (Tem o
espasmo supremo entre ambos os sugadores).
EUGÊNIA - Morro! Não posso mais, não aguento! Ai, ai!... Não entendi duas palavras que
acabo de ouvir pela primeira vez. Em primeiro lugar, o que é "matriz"?
MADAME - É uma espécie de vaso em forma de garrafa, cujo gargalo abarca o membro do
homem e recebe o líquido produzido pelas glândulas da mulher e a porra do homem. Logo lhe
demonstraremos como se produz; da mistura desses licores nasce o gérmen que dá origem às
crianças, de ambos os sexos.
EUGÊNIA - Ah, essa definição explica-me ao mesmo tempo o que quer dizer "porra", que eu
não tinha compreendido. A união dessas duas sementes é necessária para a formação do feto,
não é?
MADAME - Certamente, embora já se tenha afirmado que o feto deva sua existência tão
somente ao esperma do homem. Acho, porém, que ejaculado só, sem o licor feminino, não seria
suficiente para a concepção. Nosso licor não faz senão elaborar, não cria nada, ajuda a criação
sem ser sua causa. Muitos naturalistas modernos pretendem que o líquido da mulher é inútil,
daí, os moralistas concluem que a criança, sendo formada só pelo esperma do pai, só pelo pai
sente ternura. Essa afirmação parece verdadeira e, embora eu seja mulher, não a contesto nem a
combato.
EUGÊNIA - Sinto no meu coração a prova do que foi exposto. Amo meu pai com loucura e
sinto que detesto minha mãe.
DOLMANCÉ - Essa predileção não me admira: penso do mesmo modo. Ainda não me consolei
da morte do meu pai e, quando perdi minha mãe, fiquei alegre; detestava-a cordialmente. Adote
sem temor esses mesmos sentimentos que são naturais. Formados unicamente do sangue de
nossos pais, nada devemos às nossas mães, elas apenas se prestaram ao ato de amor enquanto
que nossos pais o solicitaram. O pai quis que nascêssemos, enquanto a mãe apenas consentiu
nisto. Quanta diferença entre esses dois sentimentos!
MADAME - Você então, Eugênia, tem mil razões a seu favor. Se há no mundo mãe que deva
ser detestada é a sua. Geniosa, supersticiosa, beata, ralhadora e dum fingimento revoltante!
Aposto que essa idiota nunca deu um mau passo na vida. Ah, querida, quanto abomino as tais
mulheres virtuosas! Voltarei depois ao assunto.
DOLMANCÉ - Não acha que agora Eugênia, dirigida por mim, deve retribuir-lhe a gentileza e
masturbá-la enquanto eu fico a contemplá-las?
MADAME - Consinto, creio mesmo que seja necessário. Enquanto isso, aposto que você
também desejará ver minha bunda.
DOLMANCÉ - Não duvide um instante, senhora, do prazer com que lhe renderei as mais
efusivas homenagens.
MADAME, apresentando-lhe o traseiro - Que tal me acha assim?
DOLMANCÉ - Maravilha! Desse modo lhe poderei prestar os mesmos serviços que tanto
agradaram a Eugênia. Coloque agora, louquinha, a cabeça bem entre as pernas de sua amiga, e
devolva-lhe com a língua os mesmos prazeres que ela lhe proporcionou. Assim! Vejo agora que
nesta posição posso gozar ao mesmo tempo dos dois cus, agarrando e apalpando deliciosamente
o de Eugênia e chupando o da linda amiga. Assim, muito bem. Que harmonioso grupo, o nosso!
MADAME, gozando - Creio que vou morrer de delícias... que gostosura ter o espasmo enquanto
agarro uma pica como a sua! Queria ser inundada de esperma!... Bata punheta, chupe, mais,
assim... esporre... Adoro sentir-me puta quando me vejo regada pelo seu esperma. Ai, não posso
mais, já acabei; ambos encheram-me as medidas, creio que jamais na vida tenha gozado tanto.
EUGÊNIA - Felicito-me de ter sido causa desse gozo extraordinário. Ainda uma palavra me
escapou e não quero perder nada: que quer dizer "puta"? Desculpem-me a pergunta, mas cá
estou para me instruir inteiramente.
MADAME - Chama-se assim, querida, toda a mulher que é vítima da volúpia dos homens, que
está sempre pronta para se entregar às exigências do temperamento ou do interesse. Felizes e
respeitáveis criaturas que a opinião condena mas que a volúpia coroa., São muito mais úteis à
sociedade do que as hipócritas; têm a coragem de sacrificar, para servi-Ia, a consideração que
essa mesma sociedade tão injustamente lhes nega. Vivam as putas que honram esse título a
nossos olhos! São as mulheres verdadeiramente amáveis, as únicas verdadeiras filósofas!
Quando a mim, que há doze anos trabalho para merecer esse título, longe de me escandalizar,
dele me orgulho. Preciso que assim me chamem quando me fodem, para que meu prazer atinja o
auge.
EUGÊNIA - Compreendo, querida. Também eu, embora longe de merecer tal título, não ficaria
zangada se o portasse. Não crê, porém, que a virtude nos proíbe de assim nos comportarmos?
Não a ofendemos com todos os atos que aqui temos praticado?
DOLMANCÉ - Renuncie de vez à virtude, Eugênia! Haverá jamais um só sacrifício imposto
por essa falsa divindade que valha um minuto dos prazeres fruídos quando a ultrajamos? A
virtude é uma quimera cujo culto consiste em perpétuas imolações e sacrifícios, em revoltas sem
número contra tudo quanto o nosso temperamento exige. Como poderiam ser naturais
semelhantes impulsos? Como poderia a natureza aconselhar que agíssemos contra todas as suas
regras? Eugênia, nunca. seja vítima dessas mulheres que se dizem virtuosas. Talvez elas não
sirvam às mesmas paixões que nós, servem, porém, a paixões mais desprezíveis e mais baixas; a
ambição, o orgulho, os interesses particulares e mais frequentemente um temperamento glacial
que nada exige. Para que, pois, copiarmos semelhante criaturas? Por que razão há de ser mais
honesto fazer sacrifícios no altar do egoísmo do que no altar da paixão? Elas obedecem apenas,
cegamente, o amor de si próprias... Creio, pois, que entre essas duas paixões uma não pode ser
inferior a outra, escutemos a voz da natureza que tem sempre razão, é a única. que vem do
fundo do nosso ser, enquanto a outra é bobagem e preconceito. Uma só gota de porra que
minha pica ejacula, Eugênia, é mais preciosa para mim do que os atos mais sublimes duma
virtude que eu desprezo.
(Pouco a pouco nossos personagens se acalmam, as mulheres vestem novamente as túnicas e
deitam-se no canapé, enquanto Dolmancé senta-se numa poltrona).
EUGÊNIA - Há, porém, virtudes de várias espécies. Que me dizem, por exemplo, da piedade?
DOLMANCÉ - Ora, pequena, que significa essa virtude para quem não tem religião? E quem
pode crer em religião? Reflita um pouco: não se chama religião o pacto que liga o homem ao
seu criador e que o solicita a lhe testemunhar, por um culto, o reconhecimento que tem pela
existência recebida desse sublime autor de seus dias?
EUGÊNIA - Não pode haver melhor definição.
DOLMANCÉ - Pois bem. Desde que demonstremos que o homem só deve sua existência aos
caprichos irresistíveis da natureza, tão antigos sobre o globo como o próprio globo, o homem é,
como o leão, o carvalho, os minerais que se acham nas entranhas da terra, uma produção
indispensável à existência desse globo e não deve sua existência a ninguém mais. Desde que
demostrem que esse Deus que os imbecis olham como autor e produtor de tudo quanto vemos,
não passa do "nec plus ultra" da razão humana, não passa dum fantasma criado no momento em
que a razão sossobra; se demonstrarmos que a existência desse Deus é impossível, que a
natureza sempre agindo, sempre em movimento, tira de si própria o que os idiotas lhe querem
dar gratuitamente; se é certo que, supondo que esse ser exista, seria o mais ridículo de todos,
pois que teria servido apenas um dia e estaria em desprezível inatividade há milhares de séculos;
supondo que existisse, como as religiões o descrevem, seria o mais detestável de todos os
seres, pois permitiria sobre a terra todo o mal que está nas suas mãos todo-poderosas impedir.
Se tudo isso fosse provado, como incontestavelmente o é, crê então, Eugênia, que a piedade que
liga o homem a esse Criador imbecil, insuficiente, feroz e desprezível, fosse virtude necessária?
EUGÊNIA a Madame - Então, querida amiga, também acha que a existência de Deus é
quimera.?
MADAME - E das mais desprezíveis, sem dúvida.
DOLMANCÉ - Só os imbecis podem crer nessas balelas. Deus é ora criado pelo medo, ora pela
fraqueza. Fantasma abominável, inútil ao sistema terrestre. Só poderia ser nocivo à vida: se a
sua vontade fosse justa, nunca se poderia estar de acordo com as injustiças essenciais às leis da
natureza. Deus deveria desejar somente o bem e a natureza só o deseja apenas como
compensação do mal que está ao serviço das suas leis. Deus deveria agir continuamente e a
natureza, cuja ação constante é lei fundamental, não poderia concorrer com ele em perpétua
oposição. Dirão talvez: Deus e a natureza são a mesmo coisa. Que absurdo! Como pode a coisa
criada ser igual à criadora? Como pode um relógio ser igual ao relojoeiro? Dirão ainda: a
natureza não é nada e Deus é tudo. Outro absurdo: como negar que há necessariamente duas
coisas no universo, o agente criador e o indivíduo criado? Ora, qual o agente criador? Eis a
única dificuldade a resolver, a única pergunta à qual é necessário responder.
Se a matéria age, move-se por combinações que desconhecemos, se o movimento é inerente à
natureza, se só ela pode, enfim, em razão de sua energia, criar, produzir, conservar, manter,
mover nas planícies imensas do espaço todos os planetas cuja órbita uniforme nos surpreende,
nos enche de respeito e admiração. Qual a necessidade de procurar um agente estranho a tudo
isso, se essa faculdade ativa somente se encontra na própria natureza que não é outra coisa
senão a matéria que age? A quimera desta virá esclarecer o mistério? Desafio que alguém me
possa provar. Supondo que eu me engane sobre as faculdades internas da matéria, pelo menos
só terei uma dificuldade. Que farei eu com o Deus que me oferecem? É apenas uma dificuldade
a mais.
Como querem que eu admita, para explicar o que não compreendo, uma coisa que compreendo
ainda menos? Por meio dos dogmas da religião cristã, como posso examinar, como posso
representar vosso horrível Deus? Vejamos como essa religião o descreve...
O Deus desse culto infame deve ser inconsequente e bárbaro: cria hoje um mundo de cuja
construção se arrepende amanhã. É tão fraco que jamais consegue imprimir no homem o cunho
que deseja. O homem, dele emanado, domina-o, pode ofendê-lo e por isso merecer eternos
suplícios. Que Deus fraco! Como pôde criar tudo quanto vemos, se não conseguiu criar o
homem à sua imagem! Dirão talvez: se ele tivesse criado o homem perfeito, o homem não teria
mérito. Que chatice! Que necessidade tem o homem de merecer alguma coisa de seu Deus? Se
ele o tivesse criado perfeito, o homem nunca poderia praticar o mal e só então essa obra teria
sido digna dum Deus. Deixar ao homem a escolha é tentá-lo. Deus, na sua infinita paciência,
sabia o resultado disso; em consequência, foi de propósito que ele perdeu a criatura por ele
mesmo formada. Que Deus horrível esse, que monstro! Que celerado, digno do nosso ódio, da
nossa implacável vingança! E não contente com o que fez, ainda para convertê-lo, condena-o ao
batismo, maldizendo-o, queimando-o no fogo eterno...
Mas nada disso modifica o homem. Um ser mais poderoso do que Deus, o Diabo,
conservará sempre seu império, desafia o Criador, e consegue, por suas seduções, debochar o
rebanho que o Eterno tinha reservado para si mesmo. Nada vencerá jamais o poder do demônio
sobre o homem. Então o Deus horrível, louvado pelos idiotas, imagina coisa mais horrível
ainda: tem um filho, um único filho que lhe nasceu não sabemos como, pois o homem fode e
quis que Deus também fodesse ilegalmente e separasse do céu essa parte de si mesmo.
Imagina-se talvez que essa descida do céu se fizesse num raio celeste entre um cortejo de anjos,
à vista do Universo inteiro... Nada disso: foi no seio duma puta judia, e numa pocilga, que o
Deus redentor dos homens apareceu entre eles! Sua honrosa missão será melhor que o lugar em
que nasceu?
Sigamos um instante esse personagem. Que diz que faz? Que missão sublime dele
recebemos? Que mistério nos revela? Que dogma nos prescreve? Em que atos transparece sua
grandeza? Infância ignorada, serviços certamente libertinos prestados pelo moleque aos padres
do templo de Jerusalém. Em seguida, desaparece durante quinze anos, aproveitados para se
envenenar com todas as demências da escola do Egito, que ele transporta para a Judéia. Assim
que reaparece, a loucura começa a se manifestar: declara-se filho de Deus, igual a seu pai,
associa a essa aliança um outro fantasma que chama de Espírito Santo, e essas três pessoas,
assegura ele, formaram um só Deus verdadeiro. Quanto mais esse mistério assusta a razão, tanto
mais ele assegura que há mérito em adotá-lo, perigo em repudiá-lo! Foi por todos nós, afirma o
imbecil, que ele se encamou, embora sendo Deus, no seio duma mulher. O universo se
convencerá disso, à vista dos incríveis milagres que vai realizar. Num jantar de bêbados, dizem
que o safado mudou a água em vinho; no deserto alimentou alguns celerados com provisões
escondidas pelos seus secretários; um dos seus camaradas finge que morreu para que ele o
ressuscite; transportou-se a uma montanha onde, diante de dois ou três apenas de seus
partidários, faz umas mágicas das quais se envergonharia hoje um péssimo prestidigitador.
Amaldiçoando com furor todos os que não acreditam nele, o safado promete o céu a todos os
idiotas que lhe prestam ouvidos. Nada escreve, pois é ignorante; fala pouco, pois é burro; age
ainda menos, pois é fraco. Cansa os magistrados que se impacientam ao ouvir seus discursos
sediosos, embora espaçados. O charlatão acaba morrendo numa cruz depois de ter assegurado
aos vilões que o seguem que, cada vez que for invocado, descerá de novo entre eles. Deixa-se
suplicar sem que seu pai, o Deus sublime do qual afirma descender, lhe dê o menor socorro; é
tratado como o último de todos os celerados do qual era realmente digno de ser o chefe. Seus
satélites reúnem-se: "Estamos perdidos, dizem, e nossas esperanças malogradas, se não
conseguirmos salvá-lo de maneira brilhante. Embriaguemos os guardas que lhe cercam o
túmulo, roubemos-lhe o corpo, publiquemos que ressuscitou; é um meio seguro. Assim
conseguiremos que acreditem nessa farsa, nossa religião ficará apoiada, será propagada no
mundo inteiro... trabalhemos!..." A farsa se propala; a ousadia e a tenacidade tomam o lugar do
verdadeiro mérito; o corpo é roubado, os bobos, as mulheres, as crianças gritam que é um
milagre, mas na própria cidade onde tão grandes maravilhas se operam, na cidade regada pelo
sangue dum Deus, ninguém crê nesse Deus, ninguém se converte. Mais ainda: o fato é tão
pouco digno de nota que nenhum historiador a ele se refere. Tão somente os discípulos, os
cumplices desse impostor, pensam em tirar partido da fraude, mas não imediatamente.
Essa consideração é essencial. Deixam correr vários anos a fim de melhor usar o insigne
disfarce; só então erigem sobre ele o edifício combalido de tão nojenta doutrina. Os homens
gostam de qualquer mudança. Cansados do despotismo dos imperadores, estavam loucos por
uma revolução. Ouvem os hipócritas e o progresso dos discípulos é rápido: eis a história dos
maiores erros deste mundo. Os altares de Vênus e de Marte transformam-se nos de Jesus e
Maria, publica-se a vida do impostor; esse romance absurdo encontra crédulos; inventam que o
Cristo disse mil coisas que nem sequer pensou. Algumas dessas imbecilidades formam a base da
sua moral. Como a maior parte dos adeptos fossem pobres, a caridade tomou-se a primeira das
virtudes. Instituíram-se ritos bizarros sob o nome de "sacramentos". O mais digno e criminoso
de todos é o seguinte: um padre coberto de crimes, em virtude dumas palavras magicas, tem o
poder de criar um Deus dentro do pão! Não duvide: esse culto, desde o seu albor, teria sido
destruído inexoravelmente se o povo tivesse empregado contra ele o desprezo, única arma que
merecia; mas uns imbecis o perseguiram, intensificando-o por esse meio infalível. Mesmo hoje,
se o cobríssemos de ridículo ele cairia. Voltaire, o perspicaz, nunca empregou outro método; é
de todos os escritores o que se pode gabar de ter obtido maior número de prosélitos. Em uma
palavra, Eugênia, tal é a história de Deus e da sua religião. São fábulas que não merecem
crédito: veja como pretende agir.
EUGÊNIA - A escolha não é difícil;. Desprezo essas nojentas fantasias; o próprio Deus, ao qual
somente me ligavam a fraqueza e a ignorância, não é para mim senão objeto de horror.
MADAME -Jure-me então nunca mais pensar nele, não mais o invocarem momento algum de
sua vida, e nunca voltar para ele.
EUGÉNIA, lançando-se nos braços da amiga - É nos seus braços que faço solene juramento.
Vejo que é para meu bem que você exige isso, não quer que tristes reminiscências venham
perturbar meu prazer, minha tranqüilidade.
MADAME - Que outro motivo poderia eu ter?
EUGÉNIA - Ainda uma última pergunta a Dolmancé. Foi a análise das virtudes que nos
conduziu à analise da religião; não haveria nessa religião, por mais ridícula que ela seja,
algumas virtudes que pudessem contribuir para nossa felicidade?
DOLMANCÉ - Vamos examinar. Seria por acaso a castidade? Você é de uma tal beleza que
parece a imagem da castidade, mas ao vê-Ia ninguém mais desejaria ser casto! Acha digna de
veneração a idéia de combater os mais naturais impulsos, sacrificando-os à honra ridícula e vã
de não ter tido jamais uma fraqueza? Seja justa, linda, amiga: alguém poderia achar nessa
absurda e perigosa pureza d'alma todos os prazeres do vício que lhes é oposto?
EUGÊNIA - Não, confesso. A castidade não me seduz; as minhas inclinações lhe são contrárias.
Mas a caridade e a beneficência, não poderiam infundir paz e alegria às almas sensíveis?
DOLMANCÉ - Longe de nós, Eugênia, as virtudes que provocam a ingratidão! Nunca se
engane, cara amiga. A beneficência é antes orgulho do que virtude. Só movido pelo prazer o
homem auxilia a seus semelhantes, nunca ele tem o desejo de fazer a boa ação e ficaria danado
se essa ação não tivesse toda a publicidade; ele só faz o bem para que os outros o saibam. Nem
creia que essa boa ação terá bons efeitos; a caridade é a maior das hipocrisias, acostuma o pobre
a um socorro que lhe mata a energia; não trabalha mais, à espera da esmola, e quando esta lhe
falta, toma-se ladrão ou assassino. Ouço de todos os lados pedidos para que se suprimam a
mendicância, entretanto, continuam fazendo todo o possível para que ela se alastre. Se não
quiser atrair moscas, não espalhe mel. Quer suprimir de verdade os pobres da França? Que
nunca mais ninguém dê esmolas e sejam fechados todos os asilos de caridade. O indivíduo
nascido na pobreza, vendo-se privado desses perigosos recursos, encher-se-à de coragem e
empregará todos os meios que recebeu da natureza para sair do estado em que nasceu. Não mais
importunará os ricos. É preciso destruir sem piedade todas essas abomináveis casas onde se têm
a audácia de esconder os frutos da libertinagem do pobre; cloacas horrendas que vomitam
diariamente no seio da sociedade um nojento enxame de novas criaturas ávidas de nossa bolsa.
Para que conservar cuidadosamente esse rebotalho? Receiam por acaso o despovoamento da
França? Receio idiota! Um dos maiores vícios do governo é consentir numa população
demasiadamente numerosa. O supérfluo não dá lucro algum ao Estado. Esses seres
extranumerários são como ramos parasitas que vivem à custa do troco e acabam por extenuá-lo.
Todas as vezes que, em qualquer país, a população for superior aos meios de subsistência, esse
país perecerá. Examinemos bem a França: o resultado é o que se vê. O chinês, sabiamente,
impede que a população cresça; nada de asilos para os frutos vergonhosos do deboche, da
devassidão; esses frutos são abandonados como o vômito duma indigestão. Nesse país nunca
houve asilos para mendigos; todos trabalham, todos são felizes, nada altera a energia do pobre e
cada um ali pode dizer como Nero: "Quid est pauper?"
EUGÊNIA a Madame - Cara amiga, meu pai pensa exatamente como este senhor e nunca
praticou na vida uma só "boa obra". Ralha sempre com minha mãe, que se abandona a essas
práticas, pertencendo a todas as associações filantrópicas e maternais. Meu pai forçou-a a deixar
tudo isso, afirmando que lhe reduziria a pensão mensal se ela insistisse em tais asneiras ou nelas
recaísse.
MADAME - Nada mais ridículo e ao mesmo tempo mais perigoso do que tais associações. A
elas, às escolas gratuitas e às casas de caridade devemos a catástrofe na qual nos encontramos.
Peço-lhe que jamais dê uma esmola, querida.
EUGÊNIA - Não tenha receio, já o prometi há muito tempo a meu pai. A caridade tenta-me
pouco e não o desobedecerei, seguindo facilmente seus desejos e meu coração.
DOLMANCÉ - Não dividamos a porção de sensibilidade que recebemos da natureza; dividi-la é
diminuí-Ia. Que me podem importar as desgraças alheias? Não me bastarão as minhas para que
me sobrecarregue com as de estranhos? Que nossa sensibilidade fique toda reservada aos
prazeres! Sejamos sensíveis tão somente ao que fala aos nossos sentidos, à nossa volúpia;
esqueçamos o resto inflexivelmente. Desse estado resulta uma espécie de crueldade que tem
suas delícias. Nem sempre é possível fazer o mal, entretanto. Privados desse prazer, tenhamos
ao menos a sensação agradável e picante de nunca fazer o bem!
EUGÊNIA - Suas lições extasiam. Creio que preferiria morrer a praticar uma boa ação.
MADAME - E se uma ação má se apresentasse, estaria pronta a praticá-la?
EUGÊNIA - Cale-se, sedutora amiga... Só responderei quando estiver completamente instruída.
Recapitulando: Dolmancé explicou que nada tem importância na terra, nem bem nem o mal;
devemos tão somente escutar nossos desejos, nossos gostos e seguir nosso temperamento. Não é
assim?
DOLMANCÉ - Não duvide, Eugênia, as palavras vício e virtude são idéias puramente locais.
Não há ação, por mais singular que pareça, que seja verdadeiramente criminosa, nenhuma
realidade virtuosa. Tudo está na razão de nossos costumes e do clima em que vivemos. O que
aqui se chama crime será virtude mais além; as virtudes dum outro hemisfério podem ser crimes
aqui. Não há horror que não possa ser divinizado, nem virtude que não possa ser impugnada.
Dessas diferenças puramente geográficas nasce o pouco caso que devemos fazer da estima ou
do desprezo dos homens, sentimentos ridículos e frívolos acima dos quais nos devemos colocar.
Prefiramos sem temor o desprezo dos homens, sobretudo quando for motivado por aquilo que
nos enche de volúpia ou prazer.
EUGÊNIA - Mas não haverá ação bastante perigosa, suficiente malvada em si própria, que
possa ser considerada criminosa e punida no universo inteiro?
MADAME - Nenhuma, querida, nem mesmo o roubo, o incesto, o assassínio, o parricídio.
EUGÊNIA - Como? Há na terra algum lugar onde se possa desculpar esses crimes?
DOLMANCÉ - Tudo isso já foi honrado, decantado, coroado, considerado excelente, enquanto
em outros lugares a humanidade, a candura, a beneficência, a castidade, todas as virtudes enfim,
foram consideradas monstruosas.
EUGÊNIA - Explique-me melhor, não entendo bem. Exijo uma curta análise de cada um desses
crimes. Comece por me dizer algo sobre a libertinagem das moças e em seguida sobre o
adultério das mulheres casadas.
MADAME - Ouça-me, Eugênia. É absurdo dizer que, mal uma moça sai do seio da mãe, deve
se tomar vítima da vontade dos pais e assim permanecer até o último suspiro. Não é num século
em que a extensão dos direitos do homem é cuidadosamente ampliada que as moças devem
continuar na escravidão da família, pois o poder da família é uma quimera. Ouçamos a voz da
natureza sobre coisa tão interessante; que os animais (que dela muito mais se aproximam) nos
sirvam de exemplo. Neles, os deveres paternos não vão além das primeiras necessidades físicas.
Assim que podem andar e comer sozinhos gozam de toda a liberdade, de todos os direitos e não
mais reconhecem os autores dos seus dias nem o débito para quem os pôs no mundo. Por que
então, a raça humana deve permanecer acorrentada a outros deveres, fundados tão somente na
avareza e ambição dos pais? Por que uma moça que começa a refletir e a sentir tem que ser
dominada pelo freio paterno?
Não foi apenas um preconceito imbecil que criou tais cadeias? Haverá coisa mais ridícula
do que uma menina de quinze ou dezesseis anos, consumida por desejo que é obrigada a conter,
esperando em tormentos inúteis, piores que os do inferno, que seus pais consintam, depois de
lhe ter estragado a mocidade, em associá-la a um marido que não é do seu gosto, que ela não
pode amar pois nada tem de amável, que tudo tem para ser odiado e para importunar e
desmanchar todos os prazeres da sua idade madura? Não, tais laços não podem durar, é
necessário libertar a moça da casa paterna desde a idade da razão. A educação devia ser dada
pelo governo e aos quinze anos todas as mulheres deviam ser senhoras do seu nariz e do seu
destino, livres para cair até mesmo no vício.
Os serviços que a mulher pode prestar, consentindo em fazer a felicidade de todos
quantos se dirijam a ela, são infinitamente mais importantes dos que ela pode prestar
isolando-se e servindo apenas a um marido. O destino das mulheres é o da loba, o da cadela,
deve pertencer a todos quantos a desejem. Encadeá-las no laço absurdo de um himeneu solitário
é ir contra a destinação que a natureza lhes impõe.
Esperamos que um dia os olhos se abram, que a liberdade de todos os indivíduos seja
assegurada sem esquecer a das pobres moças. Se elas forem esquecidas, que ao menos não
sejam idiotas; coloquem-se acima dos preconceitos, dos usos e costumes; que calquem aos pés
os grilhões, triunfando ao hábito e à opinião. O homem se tornará mais ajuizado por que será
mais livre, sentirá a injustiça de desprezar as mulheres que assim agissem, cedendo aos
impulsos sagrados da natureza só julgados criminosos entre os povos cativos e jamais entre os
livres. Parta, pois, da legitimidade desses princípios, Eugênia, quebre as algemas a todo e
qualquer custo, despreze os conselhos vãos de uma mãe imbecil, à qual só deve votar desprezo e
ódio. Se seu pai, como bom libertino, quiser gozá-la, consinta, mas sem se tornar sua escrava;
revolte-se contra o jugo se ele quiser assenhoreá-la; muitas filhas assim procedem. Você só está
neste mundo para gozar, o único limite ao prazer deve ser o limite da sua força, da sua
resistência física, da sua vontade. Não faça exceção alguma quanto a tempo, lugar ou pessoa,
todas as horas são propícias, todos os locais, todos os homens podem servir de instrumentos à
sua volúpia. A continência é a mais impossível virtude, é contra a natureza, e esta, violada nos
seus direitos, castiga-nos logo de mil modos, por mil desgraças. Enquanto as leis forem imbecis
como as de hoje, temos que usar de certos véus, constrangidos pela opinião pública, mas
vinguemo-nos em silêncio da cruel castidade que somos forçados a fingir em público.
Todas as moças devem procurar uma amiga livre que frequente a sociedade e lhe faça
secretamente experimentar todos os prazeres do amor; se isso for impossível, que ela trate de
seduzir os Argus que a cercam, pedindo-lhes que a prostituam, nem que seja preciso pagar-lhes
com o dinheiro que ela vai receber. Há também certas mulheres que se chamam "alcoviteiras" e
que lhes podem prestar os mesmos serviços. Que enganem toda a família, irmãos, primos,
parentes, se for necessário, que durma com todos aqueles que possam esconder sua conduta.
Para se prostituir, que faça o sacrifício mesmo de seus gostos e de suas opiniões. Ás vezes a
moça cai numa intriga que não lhe agrada mas que, mais tarde, a conduzirá aos braços de quem
a poderá cumular de gozo, e ei-la "colocada". Que ela nunca mais volte aos tolos preconceitos
da infância: ameaças, exortações, deveres, virtudes, religião, conselhos, devem ser desdenhados.
Que ela repudie e despreze tudo que a possa ligar de novo aos velhos vínculos, tudo aquilo que
não a conduzir diretamente ao seio de impudicícia e da volúpia.
Não há maior extravagância do que as predições dos pais contra os caminhos da
libertinagem; em todas as carreiras há espinhos, mas rosas só desabrocham onde há vício, e
nunca ninguém as colherá nas sendas enlameadas da virtude. O único rochedo a temer na
estrada libertina é a opinião do mundo, mas com pouco de espírito e reflexão quem não se alçará
acima da desprezível opinião pública? Os prazeres que nos proporciona a estima são apenas
morais e convém a poucas pessoas, os da foda agradam a todos, tais são seus atrativos que
tornam fácil desprezar a opinião pública, desafiá-la como fizeram tantas mulheres inteligentes
para as quais isso até se torna um incentivo. Eugênia, seu corpo é a coisa que mais lhe pertence
na terra, você tem pleno direito de gozá-lo e de fazer gozar a quem bem lhe parecer.
Aproveite o melhor tempo da vida, são tão curtos os anos felizes da juventude! Quem não
os perde, colhe as mais deliciosas recordações, que bastam para preencher e divertir a velhice!
Quem perde a mocidade nunca se consolará; remorso, e pesares inúteis consumir-lhe-ão a
velhice, juntar-se-ão aos achaques e o funesto aproximar do féretro será precedido de lágrimas.
Tenha a loucura da imortalidade, cultive-a, Eugênia!
É desprezando a opinião dos homens que você permanecerá na lembrança deles. Quem
jamais esquecerá Teodora e Messalina, que fornecem até hoje assuntos para longas conversas?
Como não havemos de preferir um tal partido que nas coroa a vida de flores , àquele que só nos
deixa a esperança do culto do além-tumulo? Para que havemos de vegetar estupidamente na
terra, e ser esquecidos ao fechar os olhos?
EUGÊNIA - Ah, querida amiga, esse discurso encantador me inflama e seduz! Nem
poderei exprimir o estado em que me encontro. Quero conhecer algumas dessas mulheres que
me poderão ajudar no caminho da prostituição, sim, querida?
MADAME - Por enquanto, até que tenha mais experiência, eu sozinha me encarregarei
de tudo, tomando todo o cuidado e precaução para impedir excessos. Meu irmão e este amigo
fiel serão os primeiros aos quais você se entregará, depois encontraremos outros felizardos. Não
tema, querida, você passará de prazer em prazer, será mergulhada num mar de rosas, meu anjo,
até se fartar!
EUGÊNIA, abraçando-a, querida, adoro-a, você jamais terá discípula mais dócil. Mas
você não me disse que é difícil uma mulher atirar-se à libertinagem e depois casar sem que o
marido perceba que ela já gozou muito?
MADAME - É verdade até certo ponto, mas conheço segredos que fecham todas as
brechas. Hei de ensiná-los e quando quiser se casar estará tão virgem como no dia em que
nasceu.
EUGÊNIA - Deliciosa amiga! Continue. Diga-me qual deve ser a conduta da mulher
quando se casa?
MADAME - Qualquer que seja o estado duma mulher, solteira, casada ou viúva, ela deve
ter uma só preocupação, um só desejo: ser fodida desde manhã até a noite; somente para isso ela
está no mundo. Para cumprir tal missão é preciso esmagar todos os preconceitos da infância:
deve desobedecer formalmente às ordens da família, desprezar os conselhos dos parentes,
romper todos os freios e sobretudo o do casamento. A moça, apenas saída da casa paterna ou do
colégio, nada conhece e sem experiência alguma é obrigada a passar aos braços dum marido que
nunca viu, ao qual é obrigada a jurar obediência e fidelidade. Coisa injusta e absurda pois que,
no fundo d'alma, já imagina bem que vai faltar, que deseja faltar ã sua palavra. Não há mais
triste sorte; uma vez ligada para sempre, quer o marido lhe agrade quer não, quer seja temo ou
grosseiro, a honra da mulher depende desses juramentos: perde-a se os infringe e para não a
perder tem que suportar o jugo até morrer de dor. Não, Eugênia, não é para isso que nascemos,
não nos devemos submeter a leis absurdas que os homens fizeram. Nem o divórcio conseguirá
melhorar nada, pois quem está certo de achar num segundo vínculo o que não encontrou no
primeiro?
Vinguemo-nos em segredos dessas peias absurdas, certas de que nossos excessos de
amor, por maiores que sejam, longe de ultrajar a natureza, são a mais sincera homenagem que
lhe possam prestar. Ceder aos desejos lúbricos é obedecer suas leis. O adultério que os homens
consideram crime, que ousam punir até matando, é um direito que nenhum desses tiranos jamais
conseguirá evitar. Os maridos acham horrível acariciar como filhos os produtos de outras
ligações, é a objeção de Rousseau; convenho que é a única que tem certo fundamento. Mas é
possível ser libertina e não conceber, e, se a imprudência duma gravidez acontecer, é também
possível destruir-lhe os frutos. Hei de voltar ao assunto; agora vamos ao mais profundo da
questão. Esse argumento que parece especial não é senão quimérico.
Em primeiro lugar: enquanto a mulher dormir com o marido e sentir-lhe o sêmen dentro
da matriz, mesmo que ela tenha relações com outros dez homens, ninguém poderá provar que o
filho não seja do marido. Seja ou não seja, também colaborou e não deve desprezar uma criatura
para cuja existência contribuiu. Se um homem se considerar infeliz por tão pouco, ele o será
mesmo que sua mulher seja uma vestal, pois é absolutamente impossível responder pela virtude
duma mulher. Mesmo a que foi puríssima durante dez anos, pode mudar num só instante. Se o
homem for desconfiado, nunca se julgará realmente pai do filho que está beijando; e se é sempre
desconfiado, que mal pode haverem tomar realidade essa desconfiança? Ele seria tão infeliz
antes como depois do fato consumado. Mesmo se ele beijar o fruto da libertinagem de sua
mulher, que mal há nisso? Se os bens são comuns, a criança que goze duma parte deles! Mas,
dirão, enganar um marido é uma falsidade atroz. Não, é apenas fazer justiça, pois foi a mulher a
primeira a sofrer os vínculos forçados que não queria. Vinga-se, eis tudo. Mas é um ultraje à
honra do marido! Preconceito! Os erros são pessoais e em nada podem desonrar o marido.
Preconceitos do século passado. Hoje, os erros da mulher não degradam o marido como os dele
não podem degradar a mulher; poderia foder com o mundo inteiro sem lhe fazer um arranhão.
De duas coisas uma: ou o marido é bruto e ciumento ou é homem sensível. No primeiro caso, o
melhor a fazer é vingar-se. No segundo, eu não poderia ofendê-lo e se ele é honesto e bom
ficará contente vendo-me gozar a vida. Um homem delicado goza vendo gozar a mulher que
ama. Mas se o ama, gostará que ele faça o mesmo? Claro! Só uma idiota pode ser ciumenta. A
mulher deve se contentar com o que dá o marido sem exigir mais; senão tornar-se-á logo por ele
detestada. Se a mulher tem juízo nunca se amolará com o deboche do marido. Cada um que faça
o que quiser e reinará paz no lar.
Resumindo: qualquer que seja o efeito do adultério, mesmo que introduza na casa um
filho que não seja do marido, basta que o seja da mulher para ter direito a .uma parte do dote
desta. O marido deve considerá-lo como filho dum casamento precedente da mulher. Se ele o
ignora não sofrerá, e se o adultério não tiver outra consequência, nenhum jurisconsulto o poderá
provar. O adultério é completamente indiferente para um marido que ignore; perfeitamente bom
para a mulher que com ele se deleitou, e se o marido descobre, o adultério não é um mal, pois
não o era antes e não poderia ter mudado de natureza. O mal é a descoberta e não a coisa em si.
Esse mal só provém do marido que o descobriu, sua mulher não tem nisso culpa alguma. Os que
outrora puniam o adultério eram carrascos, tiranos, invejosos; só pensavam em si mesmos.
Bastava alguém os ofender para serem criminosos como se uma injúria pessoal pudesse jamais
ser considerada crime, como se fosse possível chamar crime um ato que, longe de ultrajar a
natureza e a sociedade, só pode ser útil a ambas. Há um caso em que o adultério, fácil de provar,
toma-se mais cacete para a mulher sem ser por isso criminoso: é quando o marido é impotente
ou tem gostos sexuais contrários à reprodução. Como a mulher goza e o marido não, este fica
ainda mais zangado. Mas, que tem ela com isso? A única precaução que deve tomar é não
conceber, ou então provocar aborto. Quando o marido tem gostos antinaturais e ela
complacentemente se presta a eles, é mais que justo pagar as complacências da mulher
permitindo que se satisfaça com outros, se não lhe pode dar prazer. A simples razão deve
conceder-lhe ampla liberdade. O marido recusa ou consente; se consente, como fez o meu, a
gente se põe a gozar a vida redobrando para com ele o carinho e a condescendência aos seus
caprichos; se recusa, a gente se envolve discretamente em espessos véus e fode na sombra com
maior gosto ainda! Se o marido é impotente, a gente se separa dele mas sem deixar de foder
com quem bem nos parecer, pois não nascemos para outro fim; é a lei da natureza. Ir contra ela
só seria digno de desprezo. Os vínculos idiotas do casamento não devem impedir a mulher de se
entregar a todos os amores, só a tola recearia a gravidez, o ultraje ao marido, ou a macula (mais
vã ainda) à sua reputação. Jamais se deve imolar, Eugênia, aos preconceitos imbecis, às delícias
da vida, à suprema ventura. A mulher tem que foder, deve foder impunemente. A glória
passageira da boa fama e uma frívola esperança religiosa não podem compensá-la do sacrifício
da renúncia. Virtude e vício têm o mesmo cheiro no caixão. Ao cabo de poucos anos, quem se
lembra do vício ou da virtude? A desgraça que viveu sem prazer, expira sem recompensas.
EUGÊNIA - Anjo querido, como sabe persuadir e triunfar de todos os preconceitos! Como sabe
destruir os falsos princípios que uma mãe tola me tinha inculcado! Quisera casar-me amanhã
para pôr logo em prática suas sábias máximas; sedutoras e verdadeiras e que tanto me agradam.
Só uma coisa ainda me inquieta, não compreendo o que seu marido faz e que não a pode
engravidar. Explique-me, sim?
MADAME - Meu marido já era velho quando se casou. Desde a noite de núpcias avisou-me das
suas fantasias, assegurando-me logo que me deixaria fazer tudo quanto desejasse. Jurei
obediência e desde então vivemos ambos na mais deliciosa liberdade. O gosto de meu marido
consiste no seguinte: quer ser chupado. Assim fazemos: enquanto eu me curvo sobre ele, coloco
minha bunda sobre o seu rosto. Ao mesmo tempo que sugo com ardor a porra dos culhões devo
cagar-lhe na boca. Ele engole tudo!
EUGÊNIA - Mas que extraordinária fantasia!
DOLMANCÉ - Todas as fantasias se encontram na natureza. Criando os homens, ela fez o
gosto de cada um tão diverso quanto o rosto. Nunca nos devemos admirar dessa diversidade,
nem da extravagância infinita que ela colocou nas nossas predileções. A fantasia que Madame
acaba de descrever está muito em moda, sobretudo entre homens de certa idade. Se um deles
exigisse isso, Eugênia, você recusaria?
EUGÊNIA, enrubescendo - Segundo as máximas que me são ensinadas aqui, devo por acaso
recusar alguma coisa? Só peço perdão pela surpresa que tudo isso me causa, é a primeira vez
que ouço falar em tanta lubricidade. Preciso um instante de reflexão para concebê-las, mas, da
solução do problema à execução do processo, creio que meus mestres podem estar seguros: só
haverá a distancia que eles mesmos exigirem. Em todo o caso foi tendo essa complacência que
minha amiga conseguiu a liberdade dentro do matrimônio?
MADAME - Liberdade completa, Eugênia. Tenho feito tudo quanto quero sem encontrar
obstáculos, mas nunca tive um amante: amo demais o prazer para ter uma só afeição séria. A
mulher que ama é uma infeliz, um amante pode fazer sua desgraça, enquanto as cenas de
libertinagem podem ser repetidas diariamente mas se desvanecem na noite do silêncio assim que
são consumadas, só deixando a deliciosa lembrança. Rica, posso pagar todos os jovens que* me
fodem sem saber de quem se trata. Tenho criados escondidos, aos quais posso conceder prazeres
infinitos se souberem calar, e que serão despedidas à primeira palavra indiscreta. Nem pode
você imaginar a torrente de delícias na qual, desse maneira, mergulhei; essa é a conduta que
aconselharei a todas as mulheres. Há doze anos que me casei, e já fui possuída por mais de dez
ou doze mil indivíduos... e na sociedade passo por santa. Outra qualquer que tenha amantes está
perdida no segundo ano.
EUGÊNIA - É realmente o melhor caminho: vou segui-lo. Quero, como você, desposar um
homem rico e cheio de fantasias. E seu marido, nunca exigiu outra coisa?
MADAME - Nem um dia sequer, em doze anos, somente quando estou menstruada sou
substituída por uma bonita moça que é minha empregada. Tudo corre às maravilhas.
EUGÉNIA-Mas isso não lhe bastará certamente. Outros objetos exteriores devem concorrer
para variar seus prazeres, não?
DOLMANCÉ - Claro, Eugênia, o marido da nossa amiga é um dos maiores libertinos do século,
gasta anualmente mais de cem mil escudos nesses prazeres obscenos.
MADAME - Para dizer a verdade, confesso que não acredito nisso, mas pouco me importa.  O
que eu quero é gozar tranquilamente dos meus prazeres.
EUGÉNIA - Quero saber todas as minúcias que impedem uma jovem, casada ou não, de
engravidar. Confesso que tenho horror a isso, seja com o marido, seja na carreira da
libertinagem. Você me descreveu o modo pelo qual seu marido goza. Acredito que isso pode ser
delicioso para ele, mas não para a mulher que chupa. Quero que me discorra sobre o gozo
intenso da mulher, isento dos perigos da gravidez.
MADAME - A mulher só se arrisca a engravidar quando mete pela boceta. Basta evitar esse
modo de gozar; que ela acabe oferecendo a mão, a boca, os seios, ou o orifício anal. De
qualquer modo ela consegue prazer, mas tomando no cu este será intensíssimo. Com a mão você
já viu há pouco; a gente sacode o membro e ao fim de alguns movimentos o esperma jorra.
Enquanto isso o homem a enche de carícias e beijos, regando o lugar do corpo que você quiser.
Para recebê-lo entre os seios a mulher se estende no leito com o membro bem no meio; no fim
de alguns instantes está tudo inundado até o rosto. Esse modo só pode servir para mulheres
experientes, cujos seios adquiriram a flexibilidade necessária para comprimir o membro. O gozo
pela boca é delicioso para ambos; o melhor meio é deitar-se um contra o outro em sentido
inverso, o homem introduz o membro na boca da mulher e a língua na boceta, chupando-lhe o
clitóris. Enquanto isso, reciprocamente, um agarra a bunda do outro, titilando o orifício, carícia
que sempre causa infinito prazer e é necessária para o gozo completo. Os amantes ardorosos
engolem toda secreção que lhes entra na boca e ficam reciprocamente irrigados por esse
precioso licor da vida, roubado ao seu destino normal.
DOLMANCÉ - É um processo delicioso, experimente logo, Eugênia. Assim fazemos perder à
porra o direito de propagar a vida, enganando o que os idiotas chamam leis da natureza. As
coxas e o sovaco também servem de doce asilo ao membro viril, sem que a mulher se arrisque a
engravidar.
MADAME - Algumas mulheres introduzem esponjas na vaginas, a esponjas fecha o colo do
útero como o gargalo dum frasco e recebe todo o esperma. Mas qual, não há nada que se
compare a tomar no cu! Quem lhe poderá descrever vivamente um prazer pelo qual daria a vida
é justamente Dolmancé.
DOLMANCÉ - Confesso o meu fraco. Não há gozo que se lhe possa comparar! Amo-o num e
noutro sexo, mas confesso que o cu de um rapazinho dá-me ainda maior prazer que o de uma
moça; chamam de anormais os moços que tomam no cu. Penetrar o das mulheres é apenas
metade do vício incomparável; essa faritasia deve ser praticada com homens, é assim que o
preferem os verdadeiros amadores. Que absurdo dizer que isso degrada o homem, que ultraja a
natureza! Pelo contrário, nesse ato o homem serve à natureza talvez mais santamente. A
propagação da espécie é apenas sequência das suas primeiras intenções, se a espécie fosse
destruída, novas construções inventadas pela natureza se tornariam primordiais.
MADAME - Por esse sistema Dolmancé provará que a extinção total da raça humana seria um
serviço prestado à natureza.
DOLMANCÉ - E quem o pode duvidar, senhora?
MADAME - Então as guerras, a peste, a fome, o assassínio seriam apenas acidentes necessários
às leis da natureza? O homem, agente ou paciente dessas causas não mais seria nem o criminoso
nem a vítima?
DOLMANCÉ - Vítima é o homem toda vez que se submete aos golpes do destino; criminoso
nunca.. Falaremos nisso mais tarde. Agora passemos a analisar o gozo sodomita. A melhor
postura para a mulher que deseja ser enrabada é deitada sobre o ventre na beira da cama, as
nádegas bem abertas e a cabeça mais baixa. O felizardo depois de contemplar o lindo eu que lhe
é apresentado, dá-lhe tapinhas, beijos, mordidas, depois umedece com a língua o lindo orifício
que vai perfurar e prepara a introdução com saliva ou com uma pomada. Com uma mão conduz
o membro, com a outra afasta as nádegas, e assim que sente o membro entrar deve prosseguir
com coragem, sem medo de perder terreno; nesse instante a mulher jovem e inexperiente sente
dores que se transformarão logo em prazer. É preciso não recuar, pelo contrário, empurrar
gradativamente até que o pêlo do membro acaricie os rebordos do orifício. Todos os espinhos
foram já colhidos, agora restam só rosas: para que tudo se mude em prazer é necessário que o
fodedor acaricie a frente do fodido, se é um rapaz deve punheteá-lo até que ele ejacule, se é
mulher deve titilar o clitóris. Nesse momento, o fodido sente tal prazer que o cu se contrai,
aumentando assim o prazer do fodedor, que cumulado de volúpia não tarda a esporrar
abundantemente, por causa de tão lúbricas minúcias. Há outros que não permitem que o
paciente goze: é o que vamos explicar.
MADAME - Permita um instante, Dolmancé que eu seja sua discípula. Em que estado é preciso
que se encontre, para completamento dos prazeres do agente, o cu do paciente?
DOLMANCÉ - Claro que deve estar bem cheio e com vontade de defecar. A glande deve
atingir o troço, mergulhar nele afim de esporrar bem quente. Isso enche o paciente de tanto
ardor e alegria.
MADAME - Pensei que assim o paciente não gostasse
DOLMANCÉ - É um erro. Esse gozo é tal que nada o pode diminuir, o paciente é transportado
ao sétimo céu. Nenhum gozo lhe é comparável, quem o atingiu nunca mais poderá preferir
outro. Esses são, Eugênia, os processos de gozar sem temer a gravidez, pois mais delicioso
ainda que o gozo real é tudo que prepara o gozo: lambidas, mordidas, punhetas, chupadas... A
imaginação acossa o prazer, dela é que provém as mais picante volúpias.
MADAME - Certo. Mas, Eugênia, tome cuidado, a imaginação só se aquece quando
desprezamos os preconceitos; um só deles basta para tudo arruinar. Essa caprichosa parte do
nosso espírito é de uma libertinagem que nada pode conter; seu maior triunfo consiste em
romper todos os freios. É inimiga da regra, idolatra a desordem e tudo quanto se aproxima do
crime. Daí proveio a resposta duma mulher cheia de imaginação que seu marido fodia friamente
- "Por que tanta frieza?" perguntou-lhe. - "Por que você só conhece o que é simples demais".
EUGÉNIA - Adoro essa resposta! Estou completamente disposta a conhecer os arroubos da
mais desregrada imaginação! Vocês estão longe de imaginar todas as idéias voluptuosas que
meu espírito acaricia neste poucos momentos em que os estou conhecendo melhor... Como
compreendo agora o mal! Como o desejo do fundo do coração!
MADAME - Nunca se espante, querida, dos mais odiosos crimes, do que houver de mais sujo,
mais infame, mais proibido: é isso justamente que aquece a imaginação e nos faz gozar
completamente até o espasmo supremo.
EUGÊNIA - Eu só imagino o que você tem feito na vida! Conte-me tim-tim por tim-tim!
DOLMANCÉ, beijando-a e bolinando-a - Linda Eugênia, prefiro mil vezes fazê-la sentir tudo e
não perder o tempo em vãs palavras...
EUGÉNIA - Acha que eu devo permitir que você me faça sentir tudo?
MADAME - Não sei que conselho lhe dar, Eugênia.
EUGÊNIA - Posso dispensar Dolmancé de outras minúcias, mas exijo que minha amiga me
conte todas as coisas extraordinárias da sua vida amorosa.
MADAME - Já fodi sozinha com quinze homens ao mesmo tempo, já fui fodida, em vinte e
quatro horas, noventa vezes. Quantos metros de pica traguei! Tudo isso pela frente e por detrás.
EUGÉNIA - Mas isso são apenas provas de resistência! Imagino que conhece coisas mais
singulares.
MADAME - Sim, já estive num bordel.
EUGÉNIA - Que quer dizer bordel?
MADAME - São casas públicas onde, mediante pagamento, cada homem escolhe moças ou
mulheres prontas a satisfazer todos os seus caprichos e paixões.
EUGÊNIA - E lá você se entregou?
MADAME - Como a última das putas. Durante uma semana inteira satisfiz a toda a casa,
encontrando as mais singulares inclinações. Por princípio de libertinagem, como Teodora, a
imperatriz, mulher de Justiniario¹ forniquei no canto das ruas, nos passeios públicos, arriscando
depois na loteria o dinheiro assim ganho.
(1) ver as historietas de Procópio
EUGÉNIA - Agora que a conheço bem imagino coisas ainda mais arriscadas...
MADAME - Seria possível?
EUGÉNIA - Sim, sim, eis o que penso: você não me disse que as mais deliciosas sensações
morais vêm da imaginação?
MADAME - Disse sim.
EUGÉNIA - Pois bem. Deixando vagar essa imaginação, dando-lhe liberdade de transpor os
últimos limites da religião, da decência, da humanidade, da virtude, de todos os nossos supostos
deveres, enfim, não é verdade que os desvarios da imaginação seriam prodigiosos?
MADAME - Sem dúvida alguma.
EUGÉNIA - Não é na razão da imensidade de tais desvarios que ela mais se excita?
MADAME - Nada mais verdadeiro.
EUGÉNIA - Se assim é, quanto mais nos agitarmos, mais desejaremos emoções violentas.
Temos que dar asas à nossa imaginação sobre as coisas as mais inconcebíveis, nosso gozo se
aperfeiçoará na medida em que o caminho da imaginação tiver sido percorrido.
DOLMANCÉ, beijando Eugênia - Criatura deliciosa!
MADAME - São incríveis os progressos que fez em poucas horas! Encantadora! Sabe que irá
longe nessa carreira.?
EUGÉNIA - É justamente o que pretendo. Sem freio algum, que larga meta!
MADAME - É capaz de chegar aos crimes mais negros, mais tremendos.
EUGÉNIA, em voz baixa e entrecortada - Você me disse que os crimes não existem... S6 quero
arquitetá-los na cabeça, sem os executar.
DOLMANCÉ - Mas haverá coisa melhor do que executar aquilo que se concebeu?
EUGÉNIA, enrubescendo - Pois bem, executarei... Terão vocês a coragem de me persuadir que
não executaram tudo quanto delinearam?
MADAME - Claro que muita coisa executei.
EUGÉNIA - Então, eu bem dizia.
DOLMANCÉ - Que cabeça, hein? Que aluna!
EUGÉNIA - Eis o que quero saber: o que planejou? o que executou?
MADAME, balbuciando - Eugênia, um dia lhe contarei toda a minha vida, mas neste momento
vamos continuar nossas aulas, senão receio dizer coisas...
EUGÊNIA - Verifico que você não é suficientemente minha amiga para me abrir sua alma;
esperarei ainda até que me julgue à altura. Agora, diga-me: qual o feliz mortal a quem entregou
sua virgindade?
MADAME - Foi a meu irmão que me adorava desde pequenina. Em criança já brincávamos de
amor sem o poder realizar. Prometi-lhe que me entregaria quando me casasse e cumpri minha
palavra. Teve todas as primícias pois meu marido nunca me tocou na cama. Continuamos a
gozar juntos sem nos importunarmos reciprocamente, nunca desdenhamos todos os mais divinos
excessos de libertinagem e mutuamente nos ajudamos; eu arranjo-lhe mulheres, ele
apresenta-me homens.
EUGÉNIA - Que ótimo arranjo! Mas o incesto não é um crime?
DOLMANCÉ - Como considerar como tal uma das mais doces uniões da natureza, por ela
mesmo prescrita e aconselhada! Ora, Eugênia, como foi que a espécie humana, depois de
grandes catástrofes do nosso globo, pôde refazer-se e reproduzir? Pelo incesto! Temos exemplo
e prova nos livros mais respeitados pelo cristianismo. Como as famílias de Adão ¹ e de Noé se
puderam reproduzir senão pelo incesto? Examine e compulse os costumes universais, em toda
parte verá o incesto autorizado, olhado como lei sábia, feita para cimentar os laços da família.
Se o amor nasce da semelhança, poderá ser mais perfeito do que entre irmão e irmã, entre pai e
filha? Uma política mal compreendida, proveniente do temor de torrar certas famílias
superpoderosas, interdiz o incesto nos hábito modernos, mas não sejamos tolos de tomar como
lei natural o que é ditado apenas pelo interesse e pela ambição. Consultemos nossos corações
(sempre mando os pedantes moralistas consultarem esse órgão sagrado) e reconheceremos que
nada há mais delicado do que a união carnal na família. Não nos enganemos sobre os
sentimentos que ligam o irmão à irmã, o pai à filha. Tudo isso é apenas disfarçado sob o véu da
ternura legítima; o mais violento amor os inflama, posto pela natureza dentro dos corações.
Dupliquemos, tripliquemos sem temor o delicioso incesto, quanto mais parente nosso, mais
delicioso será o objeto do nosso desejo. Tenho um amigo que vive agora com a filha que
engendrou com a própria mãe. Há oito dias desvirginou um rapazinho de treze anos, fruto de
seus amores com a filha, e seu maior desejo é que esse rapazinho, dentro de poucos anos, foda
com sua mãe. Como ainda é jovem, espera ter outros filhos da própria filha para depois
fodê-los. Veja, Eugênia, esse meu pobre amigo quantos crimes teria praticado se isso fosse
considerado tal! Só um preconceito estúpido pode se opor a semelhantes e deliciosas ligações.
Sobre todas essas coisas eu só parto dum princípio: se a natureza realmente proibisse o gozo
sodomita, o incesto, as poluções, etc, como poderia ela permitir que eles nos dessem tão
incomparável prazer? A natureza nunca admite aquilo que realmente a ofende.
(1) Adão foi, coma Noé, um restaurador do gênero humano. Um terrível transtorno
deixou Adão sozinho sobre a terra, da mesma forma como aconteceu com Noé; mas a
tradição de Adão se perdeu, enquanto a de Noé ao conservou.
EUGÊNIA - Oh, mestres adoráveis, bem vejo que, segundo vocês, não há crimes sobre a terra,
que poderei ouvir todas as vozes da luxúria por mais singulares que pareçam aos imbecis,
idiotas a quem tudo alarma, tudo ofende e que tomam as instituições sociais por leis divinas da
sábia natureza. Entretanto, não haverá certas ações absolutamente revoltantes e decididamente
criminosas, embora ditadas pela natureza? A natureza é tão singular nas suas produções quanto
variada nas inclinações, e às vezes nos conduz a atos cruéis. Se, entregues à depravação,
atentassemos à vida de um semelhante, tal ação não seria crime?
DOLMANCÉ - Qual, Eugênia, sendo a destruição uma das primeiras leis da natureza, tudo que
destrói não pode ser crime. O que tão bem sirva à natureza não a pode ofender. Aliás essa
destruição que lisonjeia o homem é uma quimera, o assassínio não é destruição; o assassino
apenas varia a forma, faz voltar à natureza elementos dos quais ela se serve para recompensar
outros seres. Aquele que mata prepara um gozo para a natureza, dando-lhe ocasião de criar;
esses materiais, a natureza os emprega incontinenti e o assassino adquire um mérito a mais aos
olhos desse agente universal. Só o nosso orgulho erigiu o assassinato em crime. Pensamos ser as
mais importantes criaturas do universo e imaginamos que destruir tão sublime criatura deve ser
um crime enorme; pensamos que a natureza pereceria se nossa espécie desaparecesse da terra; a
inteira destruição da nossa espécie, restituindo à natureza a faculdade criadora que ela dispendeu
conosco, lhe daria uma energia que lhe tiramos com a propagação da espécie. Um soberano
ambicioso pode, sem escrúpulo, destruir todos os inimigos nocivos aos seus projetos de
grandeza; leis cruéis, arbitrárias, imperiosas, podem do mesmo modo assassinar em cada século
milhões de indivíduos, e nós, fracos particulares, não poderemos sacrificar um ou alguns seres à
nossa vingança e ao nosso capricho? Nada mais bárbaro, mais ridículo. Sob o véu do mistério
devemos nos vingar dessa inépcia!¹
(1) Este assunto agirá extensamente desenvolvido mais adiante; a momento nos
contentarmos em resumir as bases do sistema que será, em breve, objeto de longa
dissertação
EUGÊNIA - Como não? Aprecio sua moral, Dolmancé. Mas por quem é, confesse que você já
assim procedeu!
DOLMANCÉ - Não me force a revelar minhas faltas; são tão numerosas e tão graves que me
deixaram ruborizado. Um dia lhe contarei minuciosamente.
MADAME - Dirigindo a espada da lei, o celerado, muitas vezes, pôs essa espada ao serviço das
próprias paixões.
DOLMANCÉ - Se eu pudesse só ter essas culpas...
MADAME, saltando-lhe ao pescoço - Homem divino, adoro-o. Quanto espírito e coragem são
necessários para gozar a vida como você a entende! Somente ao homem de gênio é dado romper
os freios da ignorância e da estupidez! Dê-me um beijo, querido! Você é um encanto.
DOLMANCÉ - Seja franca, Eugênia, nunca desejou a morte de ninguém?
EUGÊNIA - Como não? Vejo diariamente uma abominável criatura cuja morre me faria feliz.
MADAME - Creio que advinho quem seja... Sua mãe...
EUGÊNIA - Deixe-me esconder a cabeça no seu seio. Que vergonha!
DOLMANCÉ - Voluptuosa criatura, também eu quero mostrar, pelo ardor das minhas carícias,
quanto aprecio a sua energia e o seu caráter! (Dolmancé beija-a pelo corpo inteiro, dá-lhe
tapinhas no cu e fica de pau duro. Madame agarra e sacode o membro de Dolmancé,
oferecendo-lhe a bunda que ele apalpa com delícias. Um tanto mais tranqüilo, depois de alguns
minutos, o moço continua).
DOLMANCÉ - Por que não havemos de pôr em prática a idéia sublime de Eugênia?
MADAME - Detestei minha mãe como você detesta a sua, e não hesitei.
EUGÊNIA - Faltam-me os meios.
MADAME - Diga que lhe faltou a coragem.
EUGÊNIA - Perdão, eu era tão moça ainda
DOLMANCÉ - Mas agora, Eugênia, teria a coragem necessária, não é assim?
EUGÊNIA - Tudo ousaria. Basta que vocês me forneçam os meios. Verão!
DOLMANCÉ - Fornecerei todos os meios, só com uma condição, Eugênia.
EUGÊNIA - Que condição? Bem sabe que estou pronta a aceitar qualquer uma!
DOLMANCÉ - Venha aos meus braços, linda celerada! Não aguento mais! Que seu lindo cu
seja o meu prêmio, que um crime pague o outro! Ou antes, venham ambas, extingamos com
jorros de porra o fogo divino que nos inflama e acende!
MADAME - Procedamos com ordem nas nossas orgias. A ordem não deve faltar, nem no
delírio, nem na infâmia
DOLMANCÉ - Nada mais simples. Quero esporrar dando a essa moça o maior prazer possível.
Enterrarei no seu cu, Eugênia, todo o meu membro, enquanto, curvada nos seus braços,
Madame lhe fará uma punheta. Na posição em que a colocarei você lhe restituirá a mesma
carícia. Podem até beijar-se reciprocamente as babaquinhas róseas e assanhadas. Depois
variaremos o quadro, eu enrabarei Madame enquanto você, tendo a cabeça entre suas pemas, me
oferecerá o clitóris para chupar; assim ela gozará pela segunda vez. Eu me colocarei então no
seu ânus; Madame me apresentará o cu em lugar da boceta que você apresentava. Madame terá
assim sua cabeça entre as pemas; eu sugarei seu orifício como suguei o seu clitóris. Madame e
eu gozaremos ao mesmo tempo enquanto minha mão, titilando-lhe o clitóris, fará com que você
tenha mais um espasmo.
MADAME - Mas uma coisa deliciosa lhe faltará,
DOLMANCÉ - É verdade, uma boa pica dentro do meu cu
MADAME - Não faz mal, se você não a tem esta manhã, terá de noite. Meu irmão aqui estará
para nos prestar auxílio e nossos prazeres chegarão ao auge. Vamos à obra!
DOLMANCÉ - Eugênia, faça-me uma boa punheta (ela obedece). Assim, mais depressa,
queridinha, deixe sempre bem nua essa cabecinha cor de rosa, nunca a cubra. A ereção é tanto
mais forte quanto mais o freio estiver distendido; nunca se deve cobrir o membro que se
punheteia.- Você mesmo deve preparar com amor o pênis que a vai perfurar. Veja como ele está
animado; dê-me sua língua, safadinha; coloque as nádegas sobre minha mão direita enquanto a
esquerda titila seu clitóris.
MADAME - Eugênia, você quer lhe dar todo o gozo possível
EUGÊNIA - Sem dúvida. Quero fazer tudo para agradá-lo.
MADAME - Pois então ponha-lhe a boca no pênis e chupe bem.
EUGÊNIA, obedecendo - Assim? Está bem?
DOLMANCÉ - Ó deliciosa boca, incomparável calor! É tão boa que vale o melhor dos cus!
Mulheres voluptuosas e hábeis, nunca recusei uma boca sequiosa a um pênis mais sequioso
ainda. Isso prende para sempre um amante!
MADAME - Quanta blasfêmia, meu amigo!
DOLMANCÉ - Dê-me o cu, Madame, quero beijá-lo enquanto Eugênia me chupa. Não se
incomode com minha blasfêmia; é uma delícia injuriar a Deus de pica dura! Nesse instante meu
espírito exaltado, melhor aborrece e despreza essa nojenta quimera. Quisera encontrar
expressões novas para melhor ultrajá-la! Quero ressuscitar esse fantasma para mais execrá-lo.
Faça como eu, mulher encantadora, e verá que seu gozo aumentará. Por mais gostosa que seja
sua boca, chega, Eugênia, senão gozarei dentro dela. Vamos, coloquese em posição, quero
executar meu plano, que nos mergulhará na mais divina embriaguez dos sentidos. (Arranjam-se
como Dolmancé determinou).
EUGÊNIA - Receio que não seja possível, a desproporção é colossal.
DOLMANCÉ - Qual nada, eu sodomizo diariamente muitos meninos. Ainda ontem um de sete
anos foi enrabado por este membro em três minutos. Coragem, amiga!
EUGÊNIA - Você me arrebenta!
MADAME - Cuidado, Dolmancé, poupe-a, coitadinha. Pense na minha responsabilidade.
DOLMANCÉ - Faça uma punheta forte que ela sentirá menos dor. .De resto tudo vai bem.
Veja! Já penetrei até tocar-lhe o cu com meus pelos.
EUGÊNIA - Ai, céus, não foi sem grande custo e sem grandes dores; nunca senti tanto, veja
como o suor goteja-me na testa!
MADAME - Enfim, já está desvirginada pela metade. Já é mulher e essa glória vale bem
alguma dor, que minha titilação acalmará.
EUGÊNIA - Sem ela creio que não poderia resistir, faça mais cócegas, meu anjo, para
transformar a dor em prazer. Dolmancé, empurre mais, senão morro!
DOLMANCÉ - Ai, caralho! Mudemos. Não resisto mais a seu cu, senhora. Por favor, vamos
nos colocar como planejei. (Arranjam-se e Dolmancé continua). Ai, aqui posso me conter
melhor. Como meu pau penetra! Nem por isso é um cu menos delicioso, madame.
EUGÊNIA -Estou bem nesta posição, Dolmancé?
DOLMANCÉ - As mil maravilhas, essa linda babaquinha virgem deliciosamente se me oferece!
Sou culpado, talvez, mas não resisto, tais atrações não são feitas para os olhos, quero dar a essa
criança as primeiras lições de completa volúpia. Quero vê-Ia cansada. (Titila o clitóris, e chupa
loucamente).
EUGÊNIA - Você me faz morrer de gozo! Não aguento mais, não resisto!
MADAME - Ai, estou gozando! É agora, Dolmancé, ai, ai!
EUGÊNIA - Eu também, querida, como ele chupa gostoso, ó delícia!
MADAME - Blasfeme um pouco, putinha, sim? Quero ouvi-Ia blasfemar!
EUGÊNIA - Porra, como estou gozando, que deliciosa embriaguez!
DOLMANCÉ - Ponha-se de novo no seu lugarzinho, Eugênia. (Ela obedece). Eis-me de novo
no seu cu divino; enquanto isso, madame, mostre-me o seu, quero chupá-lo todo. Como é
gostoso a gente beijar o cu que acabou de penetrar! Quero lambê-la loucamente enquanto
esporro bem no fundo do cu de Eugênia. Desta segunda vez penetrei com facilidade, ai como ela
sabe apertar o cu! Que prazer! Não aguento mais, estou esporrando, morro!
EUGÊNIA - E me faz morrer também, asseguro-lhe, minha amiga.
MADAME - Safada, como goza, como se habituou logo!
DOLMANCÉ - Quantas moças conheço que não querem gozar de outro modo. Só a primeira
vez custa um pouco, depois não querem outra coisa... Estou esgotado, deixem-me repousar ao
menos alguns minutos!
MADAME - Assim são os homens, querida, apenas nos olham e se saciam. Quase nos
desprezam depois de satisfeitos seus desejos...
DOLMANCÉ - Que injustiça, que injúria! (Abraça ambas). As duas são feitas para as mais
calorosas homenagens, em qualquer estado que me encontre!
MADAME - Consolemo-nos, Eugênia. Se eles têm o direito de nos desprezar quando
satisfeitos, nós faremos a mesma coisa, obrigadas por eles. Se Tibério em Capri sacrificava as
criaturas que serviam ao seu gozo¹, também Zíngua, rainha africana, imolava seus amantes²
DOLMANCÉ - Esses excessos tão simples, que eu tão bem compreendo, não devem entretanto
ter voga entre nós, pois o provérbio bem o diz: "os lobos não se devoram entre sí". Por mais
trivial que pareça, é justo. Não temam, amigas, farei com que vocês causem muitos males, mas
nunca lhes causarei mal algum.
1 Ver Suetônio e Dion Cassio de Nicéia.
2 Ver a História de Zíngua, rainha de Angola.
EUGÊNIA - Ouso responder; Dolmancé nunca abusará dos direitos que lhe damos sobre nós.
Creio que ele tem a probidade dos velhacos, é a melhor. Mas voltemos aos nossos princípios, ao
plano que nos inflamava quando começamos a nos acalmar.
MADAME - A carvalhinha de nada se esquece. Pensei que fosse apenas divagação.
EUGÊNIA - Nada disso, é o mais certeiro impulso de minha alma. Não sossegarei enquanto não
consumar esse desígnio.
MADAME - Não será melhor perdoá-la? Lembre-se de que é sua mãe.
EUGÊNIA - Que grande título!
DOLMANCÉ - E ela tem toda a razão. Essa mãe pensou em Eugênia, quando a pôs no mundo?
A safada se deixava foder porque nisso encontrava prazer, mas pouco pensava na filha, que
deve agir nesse ponto como bem lhe parecer. Em qualquer excesso que caia, nunca se tomará
culpada de nenhum mal.
EUGÊNIA - Detesto-a, abomino-a. Mil razões legitimam este ódio. Hei de tirar-lhe a vida, custe
o que custar.
DOLMANCÉ - Pois bem. Já que suas resoluções são inabaláveis, asseguro que ficará satisfeita.
Mas antes de agir, é preciso que lhe dê conselhos úteis: que seu segredo jamais lhe escape do
peito, que aja sozinha; nada mais perigoso do que um cumplice. É preciso desconfiar mesmo
daqueles com os quais melhor contamos. Maquiavel bem o disse: "Urge não ter nenhum
cúmplice, ou matá-lo desde que ele nos tenha servido". E não basta: num projeto como o seu, o
fingimento é indispensável. Aproxime-se da vítima antes de a imolar, agrade-a, console-a,
partilhe de suas dores, jure-lhe que a adora, mais ainda; persuada-a do seu amor. Nesse caso
jamais a falsidade seria excessiva. Nero acariciava Agripina na barca que devia levá-la ao fundo
do mar: imite esse exemplo, use todas as imposturas que o seu espírito lhe sugerir. A mentira é
sempre a arma feminina, sobretudo quando há necessidade de enganar.
EUGÊNIA - Essas lições preciosas serão retidas e empregadas oportunamente. Aprofundemos
agora o seu conselho às mulheres: a falsidade é essencial na sociedade?
DOLMANCÉ - Não há virtude mais necessária na vida, verdade certa que por si s6 prova sua
indispensabilidade. Toda gente a emprega; basta isso para que um indivíduo sincero, sendo
único, sossobre no meio duma sociedade em que só há gente falsa! Se é verdade, como
pretendem, que as virtudes sejam de alguma utilidade na vida civil, como quer você que a
pessoa sem vontade, nem poder ou dom de virtude (o que acontece com a maior parte) possa
deixar de ser hipócrita e obrigada a fingir, para obter, por sua vez, um pouco da porção de
felicidade que seus concorrentes lhe roubam? De fato, é seguramente a virtude, ou a aparência
da virtude, que se toma necessária ao homem da sociedade? Não há a menor duvida: basta a
aparência. O homem que possui essa aparência possui tudo; no mundo, as pessoas apenas roçam
de leve o homem, por isso basta uma casquinha. A prática da virtude é útil tão somente ao
homem que a possui, os outros nada aproveitam dela; basta parecer virtuoso, é inútil sê-lo. A
falsidade é o melhor meio para obter êxito, quanto mais falso mais o homem sobe, tudo obtém
deslumbrando os restantes com falsas aparências. Os que se enganam com os falsos nem se
queixam para não dar o braço a torcer; o falso tem sempre razão, ele avançará na vida deixando
para trás os sinceros; enriquecerá à custa alheia, cativará a opinião pública e se alguém falar mal
dele ninguém acreditará. Que a mais insigne falsidade seja continuadamente nosso empenho; ela
é a chave de todas as graças, favores, reputações, riquezas. Ser canalha é um prazer
incomparável, que de tudo nos consolará.
MADAME - A matéria está perfeitamente explicada. Eugênia, convencida, encorajada,
tranquila, pode agir quando bem lhe aprouver. Vamos continuar agora nossas dissertações
sobre a libertinagem;. é preciso percorrer todo esse vasto campo sem negligenciar, nem a teoria,
nem a prática.
DOLMANCÉ - As minúcias das paixões do homem são pouco suscetíveis de servir de
instrução a uma moça que, como Eugênia, certamente se casará. Ela não será destinada ao
oficio de mulher pública; se casar, há probabilidades de que o marido não tenha essa inclinação
e, se a tiver, é preciso que ela o compreenda e tolere. Em recompensa disso poderá ser falsa
quanto quiser. Essa palavra encerra tudo. Se Eugênia deseja conhecer melhor a libertinagem
masculina, resume-se em três palavras: a sodomia, as fantasias sacrílegas e os gostos cruéis. A
primeira é hoje universal; divide-se em duas classes, ativa e passiva. O homem que enraba, seja
um rapaz ou uma rapariga, comete sodomia ativa; é passivo quando se deixa foder ou enrabar.
Discutem muito para saber qual desses dois modos dará maior prazer: é certamente o modo
passivo pois, nesse caso, se reúnem as duas sensações, a da frente e a de trás. É tão gostoso
mudar de sexo, arremedando as putas, entregando-se a um macho que nos trata como se fosse
mulher, sentindo-nos como uma amante nos braços do seu amante! Que volúpia inefável!
Agora, Eugênia, alguns conselhos para as mulheres que gostam de se metamorfosear em
homens e querem, a nosso exemplo, gozar desse delicioso prazer. Ataquei-a de rijo, Eugênia, e
vejo que você fará carreira: percorra essa estrada como uma das mais deliciosas do país de
Citera. Mais uns conselhos essenciais: é indispensável que quem a estiver sodomizando não se
esqueça de bem esfregar-lhe o clitóris; não vá ao bidê, nem se limpe para melhor deixar o rego
aberto; para prolongar o prazer esqueça os cuidados da limpeza. Evite também os ácidos;
inflamam as hemorróidas e tomam a introdução dolorosa. Não deixe, porém, vários homens
gozarem sucessivamente dentro do ânus; essa mistura de espermas, embora voluptuosa, é
nociva à saúde; é preciso pôr para fora cada ejaculação à medida que ela se efetuar.
EUGÊNIA - E quando for na boceta? Posso guardar várias ejaculações consecutivas?
MADAME - Mas também não haverá mal algum se você exercer o coito sem deixar que o
esperma tome o caminho natural. A propagação da espécie não é o alvo da natureza, mas apenas
uma tolerância; quando não procriamos servimo-la melhor. Eugênia, seja inimiga figadal da
reprodução, ponha fora esse pérfido licor que só serve para nos emprenhar, estragar nossa
cintura fina, nossos lindos seios, que nos envelhece, nos fana, diminui a sensação voluptuosa!
Que seu marido saiba conduzi-Ia por outros caminhos; diga-lhe que você detesta crianças e não
as quer fabricar. Cuidado, eu tenho disso tal nojo que deixaria de ser sua amiga no instante em
que você engravidasse. Se essa desgraça lhe acontecer, avise-me nos dois primeiros meses que
tudo arranjarei. Não receie o infanticídio, crime imaginário; nós temos o direito de destruir o
que se encontra dentro de nós. É a mesma coisa que tomar um bom purgante quando temos algo
a expelir dos intestinos.
EUGÊNIA - E se o feto já chegou ao nove meses
MADAME - Mesmo que já tivesse nascido, seriamos ainda senhoras de destruí-lo. Não há no
mundo direito mais seguro que o da mãe sobre seus filhos; verdade fundada sobre a razão,
reconhecida por todos os povos.
DOLMANCÉ - Direito incontestável da natureza. A extravagancia do sistema deísta foi a fonte
de todos esses erros crassos: os imbecis que acreditam em Deus, persuadidos de que ele nos
concede a existência, acham que uma alma, dele emanada, vem incontinente habitar o embrião.
Esses idiotas consideram um crime destruir uma coisa que pertence a Deus. Depois que o facho
da filosofia dissipou essas imposturas, depois que a quimera divina foi esmagada, depois que,
melhor instruídos nos segredos da física, desenvolvemos o princípio da geração e vimos que
esse mecanismo nada oferece de mais admirável que a geração de um grão de trigo, voltamos
para a natureza. Desenvolvendo nossos direitos, reconhecemo-nos perfeitamente livres de
retomar àquilo que só tínhamos dado, de má vontade ou por acaso; não se pode exigir de
ninguém que se tome pai ou mãe sem desejá-lo. Uma criatura a mais ou a menos na terra não
tem menor consequência; somos senhores dela antes e depois de nascida, podemos eliminá-la
como a unha que cortamos dos dedos, o excesso de digestão que tiramos dos intestinos, pois
tudo isso é nosso, nos pertence, e disso podemos dispor à nossa vontade. Já lhe expliquei que
um assassínio não tem a menor importância; a mesma coisa se dá com o infanticídio, mesmo
que a criança já tivesse a idade da razão. Sua inteligência, Eugênia, vale ainda mais do que as
provas que lhe ofereço: a leitura da história dos costumes de todos os povos da terra lhe
mostrará que o infanticídio é um costume universal. Só os tolos ainda condenam tão simples
ocorrência.
EUGÊNIA a Dolmancé - Estou inteiramente persuadida. (A Madame): já se serviu do remédio
que me aconselha para destruir interiormente o feto?
MADAME - Duas vezes e com inteiro êxito. Foi no começo da gravidez, mas conheço mulheres
que o empregaram depois de vários meses com o mesmo resultado. Pode contar comigo, mas o
melhor ainda é não engravidar. Continue, Dolmancé, chegamos agora às fantasias sacrílegas.
DOLMANCÉ - Suponho que Eugênia esteja agora completamente libertada da estupidez
religiosa. Saiba que jamais terão consequência os atos que zombarem de tudo quanto constitui o
culto dos imbecis. Essas fantasias aquecem as cabecinhas jovens para as quais toda a violação
de freios é um gozo; volúpias que se tomam frias quando já se teve tempo de estudar, de se
instruir, de se convencer da nulidade desses ídolos que escarnecemos. Profanar relíquias,
imagens de santos, a hóstia, o crucifixo, tudo isso aos olhos do filósofo é o mesmo que degradar
estátuas do paganismo. Toda essa baboseira só deve merecer nosso desprezo; só devemos usar a
blasfêmia, embora nem essa tenha serventia. Pois, desde que Deus não existe, o que adianta
insultá-lo? Mas é essencial e agradável pronunciar nomes sujos e fortes para aumentar a
embriaguez do prazer, para auxiliar a imaginação, não poupemos coisa alguma para essa
finalidade, tenhamos o luxo de expressões que escandalizem o mais possível. É tão doce
escandalizar... Triunfo do orgulho que não se deve desprezar! É uma das minhas secretas
volúpias; há poucos prazeres morais que influam mais na minha imaginação. Experimente,
Eugênia e verá o resultado: ostente a mais prodigiosa impiedade quando em companhia de
moças de sua idade, ainda envoltas nas trevas da superstição, ostente o deboche; a libertinagem;
porte-se como puta, mostre os peitos, levante as saias se forem juntas à privada, ponha à mostra
as partes mais secretas do seu corpo e exija reciprocidade. É preciso seduzí-las, fazer-lhes
sermão ridicularizando os seus preconceitos. Induza-as ao que se chama erradamente de mal,
blasfeme como um carroceiro, agarre-as à força, corrompa-as por conselhos e exemplos,
perverta-as, seja extremamente livre com os homens, fale de irreligião, de safadagem, conceda
tudo quanto a divirta sem a comprometer, masturbe e seja masturbada, empreste-lhes o cu. Uma
vez casada, não tenha amante, pague criados jovens e discretos, assim tudo ficará secreto. Sua
reputação continuará intacta, ninguém suspeitará. Eis a arte de fazer tudo quanto nos apraz.
Continuemos.
Os prazeres da crueldade são os terceiros que prometemos analisar. Muito comuns entre os
homens de hoje, eis os argumentos dos quais se servem para legitimá-los: o alvo das pessoas
que se entregam à volúpia é ficarem excitadas; queremos nos excitar por meios mais ativos;
assim sendo, pouco nos importa se nossos procedimentos agradarão ou não ao objetivo que
serve; só se trata de pôr em movimento a massa dos nossos nervos pelo choque mais violento
possível. Ora, como a dor afeta mais vivamente que o prazer, o choque resultante dessa
sensação produzida sobre o parceiro será de vibração mais vigorosa e repercutirá mais
energicamente em nós; o espírito animal entrará em circulação e inflamará os órgãos da volúpia
predispondo-os ao mais intenso prazer. Ora, os efeitos do prazer são mais difíceis na mulher, um
homem feio ou velho jamais logrará produzi-los; por isso preferem a dor, cujas vibrações são
mais ativas. Objetarão certamente: os homens que têm essa mania não refletem que é falta de
caridade fazer sofrer o próximo, sobretudo para obter maior gozo? É que, nesse ato, os canalhas
só pensam em si próprios, seguem o impulso da natureza e desde que gozem bastante o resto
não lhes importa, nunca sentimos as dores alheias. Pelo contrário, ver sofrer, é uma grande
sensação. Para que poupar um indivíduo com o qual não nos importamos? Essa dor não nos
custará uma só lágrima e nos ocasionará um prazer. Haverá na natureza um só impulso que nos
aconselhe preferir o próximo a nós mesmo?
Cada um de nós não é para si mesmo o mundo inteiro, o centro do universo? Nem me
falem na voz quimérica que diz "não façais aos outros o que não quereis que se vos faça".
Grandes imbecis! A natureza não nos aconselha outra coisa senão que gozemos, que nos
divirtamos; não conhecemos outro impulso, outra aspiração. Nunca devemos nos incomodar
com o que pode suceder aos outros... A natureza é a nossa mãe e só nos fala de nós mesmos, sua
voz é a mais egoísta. O mais claro conselho que nos dá é que tratemos de gozar, de nos deleitar,
mesmo a custo de quem quer que seja! Os outros nos podem fazer o mesmo, é verdade, mas o
mais forte vencerá. A natureza nos criou para o estado primitivo de guerra, de destruição
perpétua, único estado em que devemos permanecer para realizar seus fins.
Eis, querida Eugênia, como raciocinam os libertinos; acrescento por experiência, por
estudos particulares, que a crueldade, longe de ser um vício, é o primeiro sentimento que a
natureza imprime no homem. A criança quebra seus brinquedos, morde o mamilo da ama, e
estrangula pássaros muito antes de atingir a idade da razão. Todos os animais respiram
crueldade, pois neles as leis da natureza são ainda mais fortes que no homem, assim como nos
selvagens elas falam mais alto ainda do que no homem da cidade. Nascemos com uma dose de
crueldade que só a educação consegue modificar, mas a educação nada tem a ver com a
natureza, pelo contrário, é nociva a ela como a cultura é nociva às árvores. Compare nos nossos
pomares a árvore que cresce livre com as árvores podadas e cuidadas artisticamente. Qual a
mais bela, a que oferece melhores frutos? A crueldade é a energia do homem que a civilização
ainda não corrompeu, é, portanto, uma virtude e não um vício. Tiremos as leis, os usos, e a
crueldade não terá mais efeitos perigosos, nunca agirá sem poder ser afastada pelas mesmas
armas. Só é perigosa no estado de civilização porque o ser lesado não tem força, ou meios, para
vingar a injúria. No estado de incivilização, se ela age sobre o forte será por ele sobrepujada, se
age sobre o fraco não tem o menor inconveniente, pois o fraco deve ceder ao forte pelas leis
dessa mesma natureza.
Não analisaremos a crueldade nos prazeres lúbricos do homem. Verá, linda Eugênia, os
diferentes excessos aos quais ele se entregou; sua imaginação ardente compreenderá logo que,
nas almas fortes e estóicas, essa crueldade não deve ter limites. Nero, Tibério e Heliogábalo
imolavam meninos para ficarem de pau duro; o marechal de Retz, Charolais, o tio de Condé
cometeram assassínios em lúbricas orgias. O primeiro confessou no seu interrogatório que não
conhecia volúpia mais deliciosa do que supliciar crianças de ambos os sexos; acharam mais de
oitocentas, imoladas nos seus castelos da Bretanha. Tudo isso se concebe perfeitamente, como
acabei de demonstrar. Nossa constituição, nossos órgãos, o curso dos humores, a energia dos
espíritos animais, eis as causas, físicas que criaram Titos ou Neros, as Messalinas ou as Chantal.
Não há motivo algum da gente se orgulhar da virtude, nem de se arrepender do vício, assim
como é inútil acusar a natureza de ter criado um justo ou um facínora; ela terá agido segundo
seus planos aos quais nos devemos submeter. Examinemos a crueldade das mulheres, bem mais
ativa que a dos homens, em razão do poder excessivo da sensibilidade de seus órgãos.
Nós distinguimos, em geral, duas espécies de crueldade: a que nasce da estupidez que,
sem razão e sem análise, assimila o indivíduo às feras, não produz prazer algum; é apenas uma
inclinação natural; as brutalidades por ela causadas não são perigosas, pois é fácil delas nos
defendermos. A outra. espécie de crueldade, fruto da extrema sensibilidade dos órgãos, não é
conhecida senão pelos seres extremamente delicados; é uma delicadeza extrema e refinada que
põe em movimento todos os recursos da maldade. Poucas pessoas podem perceber tais
diferenças, poucas a podem sentir; entretanto, elas existem. É este segundo gênero de crueldade
que mais se encontra entre as mulheres; são conduzidas por excesso de sensibilidade, a força do
espírito torna-as ferozes; por isso mesmo são encantadoras, fazem todos perderem a cabeça por
elas. Infelizmente a rigidez absurda dos nossos costumes deixa pouco terreno a essa crueldade,
obrigando-as a se esconder, a dissimular, a cobrir suas inclinações naturais por atos ostensivos
de beneficência que elas no fundo odeiam. É apenas veladamente, com precaução, auxiliadas
por amigos certos, que conseguem satisfazer seus desejos, coitadinhas! Se quisermos
conhecê-las será preciso vê-Ias assistindo a um duelo, um incêndio, um combate, uma batalha;
mas tudo isso é pouco para elas e as coitadas têm que se conter.
Falemos de algumas mulheres desse gênero: Zíngua¹, rainha de Angola, a mais cruel das
mulheres, imolava seus amantes logo depois de gozá-los; assistia combates entre guerreiros,
entregando-se ao vencedor; para se distrair fazia moer num pilão todas as mulheres que
tivessem engravidado antes dos trinta anos'. Zoé, mulher dum imperador chinês, não sentia
prazer maior do que assistir à execução de criminosos; se não os houvesse, imolava escravas
enquanto era fodida, e tanto mais gozava nesse instante quanto mais as infelizes sofriam; foi
inventora da famosa coluna de bronze oca que fazia aquecer em brasa. depois de aí ter encenado
a vítima. Teodora, mulher de Justiniano, adorava presenciar à castração dos eunucos. Messalina
se fazia punhetar enquanto, pelo processo da masturbação, seus escravos extenuavam vários
homens diante dela. As floridianas faziam engrossar o membro dos maridos colocando sobre a
glande pequenos insetos venenosos, amarravam-nos para essa operação e reuniam-se em grupo
para efetuar essa operação mais rapidamente. Quando os espanhóis chegaram a esse país, elas
próprias agarravam os maridos para que fossem assassinados pelos conquistadores. La Voisin,
La Brinvilliers, envenenavam apenas por prazer. A história fornece milhares de exemplos da
crueldade feminina, acho que por isso elas se deixavam ser flageladas, o que causa grande
prazer ao homem. Seria uma válvula natural à crueldade das mulheres, e a sociedade com isso
ganharia, pois não podendo expandir-se desse modo, elas inventam mil outros modos piores
para derramar o veneno que as habita, fazendo o desespero dos pobres maridos e da família
inteira. A maior parte delas recusa sempre a fazer uma boa ação quando se apresenta a ocasião
de socorrer algum infortúnio, mas essa válvula não chega para tanta maldade. Elas precisam
exercer maldades maiores. Haveria, sem dúvida, outros meios para lhes contentar a malvadez
inata, mas não sei se eu poderia aconselhá-lo... Que tem você, menina? Em que estado está!
1 Ver a História de Zíngua rainha de Angola, por um Missionário
EUGÊNIA, masturbando-se - É o efeito de todas essas suas histórias!
DOLMANCÉ - Ajude-nos, senhora, não é possível que ela goze sem que a auxiliemos!
MADAME - Realmente, seria injusto! Venha aos meus braços, deliciosa e sensível criatura. E
como fica linda no momento de gozar!
DOLMANCÉ - Ocupe-se da vanguarda, Madame, eu tratarei do cu, enfiando a língua no
orifício róseo e dando-lhe uns tapinhas. Assim pode descarregar na nossa mão umas sete ou oito
vezes. Vai ver que lindo!
EUGÊNIA, quase gozando - Sei que não me será difícil!
DOLMANCÉ - Na posição em que se encontram, cada uma de vocês pode me chupar o
membro alternadamente, assim excitado procederei com muito mais ardor e aumentarei o prazer
da nossa jovem e talentosa discípula.
EUGÊNIA - Querida, disputo-lhe a honra de sugar tão linda pica! (Pendura-se nela).
DOLMANCÉ - Que delícia, que voluptuoso calor. Eugênia, porte-se bem no momento em que
eu esporrar, ouviu?
MADAME - Sim, ela vai engolir tudo, respondo por ela. Se negligenciasse os deveres impostos
pela luxúria veria...
DOLMANCÉ, animadíssimo - Nem há duvida, não a perdoaria, que castigo exemplar havia de
receber! Creio que a chicotearia até sair sangue. Pronto, estou esporrando, como escorre...
Engula, não perca uma gota, querida, assim... Madame, entrego-lhe meu cu, cuide bem dele,
está todo escancarado o danadinho, boceja anelante. Enfie os dedos assim até o pulso. Ai, esta
menina encantadora chupou-me como um anjo e engoliu tudo!
EUGÊNIA - Querido e adorado mestre, sim, não perdi uma só gota de sua porra! Beije-me
agora que ela está no fundo das minhas entranhas.
DOLMANCÉ - Que deliciosa menina! Com que abundância descarregou!
MADAME - Está completamente inundada. Mas, céus, o que ouço? Estão batendo! Quem
ousará nos interromper? É meu irmão, que imprudência!
EUGÊNIA - Mas, minha querida, isso é uma traição!
DOLMANCÉ - Traição sem exemplo! Porém, nada tema, Eugênia, nós só buscamos seu maior
prazer.
MADAME - Ela ficará logo convencida disso. Aproxime-se, querido irmão, e ria-se desta
menina que se esconde para que você não a veja.